a poeta pelotense angélica freitas é presença confirmada no festival latitudes latinas

uma das mais destacadas vozes da poesia brasileira contemporânea, angélica freitas é poeta e tradutora. publicou os livros rilke shake (cosac naify/ 7 letras, 2007) e o útero é do tamanho de um punho (cosac naify, 2012), vencedor do prêmio de melhor livro de poesia de 2012 da associação paulista de críticos de arte (apca). com ilustrações do artista gráfico odyr bernardes lançou romance gráfico guadalupe (quadrinhos na cia/companhia das letras).

no festival latitudes latinas angélica freitas participará de um sarau poético junto a Karina Rabinowitz (BA) e Zéfere (MG), entre outros convidados. O sarau será realizado no Lalá Multiespaço, no rio vermelho, no dia 24 de outubro, a partir das 20h.

Enquanto não chega esse momento, confira o vídeo com um poema do livro o útero é do tamanho de um punho, produzido pela oi kabum! escola de arte e tecnologia salvador .

confira também alguns poemas de angélica que foram musicados por seu conterrâneo vitor ramil.

VIDA AÉREA

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o quanto você quer, me diga, com frio na barriga,
proclamar o norte onde seu nariz aponte, se livrar do
que não interessa, com força, abrir a cabeça, meter os pés
pelas mãos, com pressa, não importa, sentar nos escombros
ombro a ombro com a obra, me diga me diga, com frio
na barriga, quanto tempo perdido, quantos reais no bolso,
quantos livros não lidos, quantos minutos de espera,
quantos dentes cariados, me diga o quanto você quer isso
tudo

e para onde quer que envie, se você quer que embrulhe,
me diga me diga

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STRADIVARIUS

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(o que passou pela cabeça do violinista
em que a morte acentuou a palidez ao
despenhar-se com sua cabeleira negra &
seu stradivárius no grande desastre
aéreo de ontem)
dó, ré, mi
eu penso em béla bartók
eu penso em rita lee
eu penso no stradivarius
e nos vários empregos
que tive
pra chegar aqui
e agora a turbina falha
a cabine se parte em duas
e agora as tralhas caem
e eu despenco junto
lindo e pálido minha cabeleira negra
meu violino contra o peito
o sujeito ali da frente reza
e eu só penso
dó, ré, mi
eu penso em stravinski
nas barbas do klaus kinski
no nariz do karabtchevsky
num poema do joseph brodsky
que uma vez eu li
senhoras, afrouxem os cintos
que o chão vem vindo
senhoras, afrouxem os cintos
que o chão é lindo
dó, ré, mi
dó, ré, mi
one, two, three

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RILKE SHAKE

[quote style=”1″]

salta um rilke shake
com amor & ovomaltine
quando passo a noite insone
e não há nada que ilumine
eu peço um rilke shake
e como um toasted Blake
sunny side pra cima
quando estou triste
& sozinha enquanto
o amor não cega
eu bebo um rilke shake
e roço um toasted Blake
na epiderme da manteiga
nada bate um rilke shake
no quesito anti-heartache
nada supera a batida
de um rilke com sorvete
por mais que você se deite
se deleite e se divirta
tem noites que a lua é fraca
as estrelas somem no piche
e aí quando não há cigarro
não há cerveja que preste
eu peço um rilke shake
engulo um toasted blake
e danço que nem dervixe

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MULHER DE ROLLERS

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no condomínio querem saber
se ela pirou de vez
ou se vai competir
nalguma espécie de jogos olímpicos
porque deu para andar de rollers
na área comum do prédio
prejudicando a saída
e a entrada de veículos
ainda por cima anda mal
nem ganhou velocidade
pirueta é coisa então
para a próxima encarnação
consternação entre condôminos
com seu senso do ridículo
“essa daí vai acabar
como na música do chico ”
“vai passar na avenida
um samba popular?”
“não, atrapalhando o tráfego”

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Fonte: https://www.facebook.com/notes/vitor-ramil/duas-fotinhos-de-pelotas-e-quatro-letras-de-can%C3%A7%C3%B5es-in%C3%A9ditas-a-seguir-para-dar-u/10151967164881351

 

 


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