abril indígena

dia do índio? como assim? abril indígena. para pensar no que também somos, no que também nos constitui. para pensar nos saberes que também nos formaram. para dialogar-viver-sentir-aprender. jovens estudantes indígenas se reuniram para organizar mais uma edição do abril indígena – que traz em sua programação diversas e inspiradoras atividades. confira nesta edição mais detalhes sobre a programação e conheça alguns dos belos cantos que animarão esta celebração da diversidade cultural.

clique abaixo para ouvir o programa pelo computador:

clique para ouvir o programa

e abaixo para ouvir através de dispositivos móveis:

tso ere poma – dardete karitiana cd canções do brasil

canção tradicional da nação karitiana, de rondônia, norte do brasil, incluída no cd canções do brasil, do selo palavra cantada, coordenado por paulo tatit e sandra peres. interpretada por dardete karitiana, esta canção foi traduzida para o português por marlui miranda. de acordo com as informações do encarte do cd, “tso ere poma” é a observação de uma criança karitana dizendo “eu vou pegar” numa caçada em que volta para casa trazendo no seu cesto um tatu para brincar.

uy poma, uy poma i ay ta ka´ay un mi´ay i ay ta ka´ay un mi´ay
buh uy, buh uy i ay ta ka´ay un mi´ay i ay ta ka´ay un mi´ay
ti ka´au tso ere uy poma i ay ta ka´ay un mi´ay i ay ta ka´ay un mi´ay
uy poma, uy poma i ay ta ka´ay un mi´ay i ay ta ka´ay un mi´ay
vou brincar, vou brincar vou pegar, pegar vamos longe vou pegar, pegar tatu vai brincar comigo vou pegar, pegar

chegança – antonio nóbrega cd madeira que cupim não rói

de antonio nóbrega e wilson freire. esta canção trata da chegada dos portugueses do ponto de vista do povo indígena e faz parte das “cantigas do descobrimento do brasil” que integram o cd madeira que cupim não rói (1997). neste trabalho foram utilizados instrumentos musicais afro-indígenas como o urucungo e o marimbau. a chegança é uma manifestação cultural de ritmo e dança do nordeste brasileiro.

hiriko – marlui miranda

canção que integra o cd todos os sons (1995) de marlui miranda, compositora, cantora e pesquisadora da cultura indígena. “hiriko” é uma canção do povo tupari e faz parte de uma festa que é oferecida pelos homens às mulheres como agradecimento ao seu trabalho nas roças. os tupari compartilharam com outros povos de rondônia um histórico do contato marcado primeiramente pela exploração e expropriação por seringalistas, e a partir da década de 1980 também por madeireiros e garimpeiros. nos últimos anos os tupari vêm procurando reverter esse quadro e lutam, com outros povos da região, contra a instalação de barragens no rio branco.

hirigo gãi bãi ê
hirigo gãi bãi ê
liriã té korõ hokã
liriã té korõ hokã
korõ hokã
hirigo gãi bãi ê
hirigo gãi bãi ê
hirigo gãi bãi ê

toré – quinteto armorial cd do romance ao galope nordestino (1974)

toré é uma das danças/ rituais que fazem parte das tradições de alguns povos indígenas do brasil. O quinteto armorial, projeto fundado por ariano Suassuna nos anos 70 junto a artistas do nordeste, realizava pesquisas sobre a cultura popular do nordeste brasileiro.

yhia wasato (filhos do toré) – wakay cd matydy ekytoá (caminho de todos)

canto em yathé, idioma fulni-ô, gravado por wakay e membros da tribo kariri xocó. wakay cícero pontes, filho de kariri com fulni-ô, é um músico terapeuta indígena, grande conhecedor de sua cultura e da ancestralidade indígena. confira aqui um vídeo no qual estudantes indígenas da universidade federeal da bahia dançam o toré:

kartenotú hãpe – cd ihixú xôhã suniata’irá iõp pahãtê

canção que faz parte do cd ihixú xôhã suniata’irá iõp pahãtê, que foi resultado do processo de ensino e aprendizagem da língua patxôhã realizado pelos professores indígenas da escola indígena pataxó coroa vermelha, baseado em pesquisas para a revitalização da língua, história e cultura pataxó. a aldeia pataxó está localizada em santa cruz cabrália, em porto seguro. nas proximidades, dentro da mata atlântica, uma reserva indígena de cerca de 2.500 hectares abriga cerca de 230 famílias.

kartenotú hãpe
kramiã paxixá dxê’ê mãgutá
kuhú kuhú, kuhú kuhú
peõgãm peõgã, peõgã”
amigo gato
agora eu vou te comer.
corre-corre, pega pega pega

a todo povo de luta – rap guarani mbya

rap composto e interpretado por jovens da terra indígena tenondé porã, em parelheiros, extremo sul de são paulo.esta composição faz parte das ações realizadas pela a comissão guarani ivyrupa (cgy), que é uma organização política autônoma que congrega as aldeias do povo guarani localizadas no sul e sudeste do brasil na luta comum pela terra. conheça:http://www.yvyrupa.org.br/

yaklethxa yakytoasáto (canto de todos os povos) – wakay cd matydy ekytoá (caminho de todos)

kumbarikira – crianças kukama

rap interpretado por crianças do povo kukama kukamiria, da amazônia peruana. “kumbarikira” significa “compadrito”. clique aqui  e saiba mais sobre o povo kukama-kukamiria

eju orendive – bro mc’s

rap composto e interpretado por jovens guarani-kaiowá, da reserva jaquapiru, em dourados, mato grosso do sul – região na qual as aldeias vêm tentando resistir à pressão de fazendeiros e de empresários ligados ao agronegócio. brô mc´s, grupo pioneiro do chamado rap indígena, é integrante do coletivo terra vermelha, que é também o nome de um documentário que você confere aqui.

juntucha de rap – kaypi rap

rappers de diferentes regiões e de diferentes coletivos bolivianos se reúnem para cantar este rap que é também um canto pela união do movimento.

katary / identidad -los nin

um dos primeiros grupos equatorianos a cantar rap em quéchua, los nin vem de uma importante família de músicos e combina em seu trabalho os beats e as líricas do rap com ritmos, instrumentos e saberes de suas comunidades.

soy un maasewal – pat boy cd mi música en tu zona

pat boy é um jovem rapper de origem maya nascido em quintana roo, no sudeste mexicano. conheça aqui  algo mais sobre o trabalho de pat boy.

resistencia mapuche– wenu mapu-subverso

de subverso, ou vicente durán, cantor de rap chileno-estadunidense. foi um dos fundadores do projeto hiphoplogia, organização que faz trabalhos sociais vinculados à educação popular, e membro do grupo de rap conspirazion. “resistência mapuche – wenu mapu” fala da história de luta da nação mapuche, povo indígena da região centro-sul do chile e do sudoeste da argentina. “wenu mapu”, na mitologia mapuche, é o espaço sagrado e invisível onde habita a família divina, os espíritos do bem e os antepassados. veja abaixo um documentário sobre a luta mapuche por autodeterminação e resistência à invasão de seus territórios.

raza de racistas – ukamau y ke

canção da banda de hip-hop boliviana ukamau y ke. o grupo, que canta em espanhol e em aymara, lançou dois discos, para la raza (2007) e la ciudad de los ciegos (2010). a banda era liderada pelo ativista abraham bojorquez ukamau y ke , um dos pioneiros do hip-hop na bolívia, que faleceu em 2009. o artista realizava trabalhos culturais nas comunidades indígenas de el alto, em la paz, onde buscava fortalecer e divulgar as culturas locais e combater o racismo. foi líder do movimento “wayna rap” (rap jovem, em aimará). confira abaixo o vídeo desta canção.


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