abril indígena

“índio é nós: não somos um grupo, somos vários.” assim começa o manifesto de lançamento de uma campanha que reivindica a retomada das demarcações de terras indígenas e o respeito aos direitos fundamentais dos povos indígenas e tribais. conheça mais sobre esta campanha aqui e assine a petição. confira também a programação do abril indígena, uma série de ações realizadas pela equipe que integra o programa de educação tutorial – conexões de saberes – comunidades indígenas da universidade federal da bahia. na trilha sonora, algumas das vozes e sons das comunidades indígenas destas latitudes.

clique no título das canções e confira mais informações

[spoiler title=”Chegança” open=”0″ style=”1″]

de antonio nóbrega e wilson freire. esta canção trata da chegada dos portugueses do ponto de vista do povo indígena e faz parte das “cantigas do descobrimento do brasil” que integram o cd madeira que cupim não rói (1997). neste trabalho foram utilizados instrumentos musicais afro-indígenas como o urucungo e o marimbau. a chegança é uma manifestação cultural de ritmo e dança típicos do nordeste brasileiro.

[quote style=”1″]

sou pataxó,
sou xavante e cariri,
ianonami, sou tupi
guarani, sou carajá.
sou pancaruru,
carijó, tupinajé,
potiguar, sou caeté,
ful-ni-o, tupinambá.

depois que os mares dividiram os continentes
quis ver terras diferentes.
eu pensei: “vou procurar
um mundo novo,
lá depois do horizonte,
levo a rede balançante
pra no sol me espreguiçar”.

eu ataquei
num porto muito seguro,
céu azul, paz e ar puro…
botei as pernas pro ar.
logo sonhei
que estava no paraíso,
onde nem era preciso
dormir para se sonhar.

mas de repente
me acordei com a surpresa:
uma esquadra portuguesa
veio na praia atracar.
da grande-nau,
um branco de barba escura,
vestindo uma armadura
me apontou pra me pegar.

e assustado
dei um pulo da rede,
pressenti a fome, a sede,
eu pensei: “vão me acabar”.
me levantei de borduna já na mão.
ai, senti no coração,
o brasil vai começar

[/quote] [/spoiler] [spoiler title=”Kartenotú Hãpe” open=”0″ style=”1″]

canção que faz parte do cd ihixú xôhã suniata’irá iõp pahãtê, que foi resultado do processo de ensino e aprendizagem da língua patxôhã realizado  pelos professores indígenas da escola indígena pataxó coroa vermelha, baseado em  pesquisas para a revitalização da língua, história e cultura pataxó.  a aldeia pataxó está localizada em santa cruz cabrália, em porto seguro. nas proximidades, dentro da mata atlântica, uma reserva indígena de cerca de 2.500 hectares abriga cerca de 230 famílias.

[quote style=”1″]

kartenotú hãpe
kramiã paxixá dxê’ê mãgutá
kuhú kuhú, kuhú kuhú
peõgãm peõgã, peõgã”

amigo gato
agora eu vou te comer.
corre-corre, pega pega pega

[/quote] [/spoiler] [spoiler title=”Oy morangatu” open=”0″ style=”1″]

do cd kangwaá – cantando para nhanderu, que foi gravado por tupis guaranis do vale do ribeira, em são paulo. nhanderu é o deus supremo dos guaranis, povo indígena presente em cinco países sul-americanos: argentina, brasil, paraguai, uruguai e bolívia. no brasil é uma das maiores populações indígenas, representando quase 9% dos índios existentes em território nacional (Funasa, 2010).

[/spoiler] [spoiler title=”Hiriko” open=”0″ style=”1″]

canção que integra o cd todos os sons (1995) de marlui miranda, compositora, cantora e pesquisadora da cultura indígena. “hiriko” é uma canção do povo tupari e faz parte de uma festa que é oferecida pelos homens às mulheres como agradecimento ao seu trabalho nas roças. os tupari compartilharam com outros povos de rondônia um histórico do contato marcado primeiramente pela exploração e expropriação por seringalistas, e a partir da década de 1980 também por madeireiros e garimpeiros. nos últimos anos os tupari vêm procurando reverter esse quadro e lutam, com outros povos da região, contra a instalação de barragens no rio branco.

[quote style=”1″]

hirigo gãi bãi ê
hirigo gãi bãi ê
liriã té korõ hokã
liriã té korõ hokã
korõ hokã
hirigo gãi bãi ê
hirigo gãi bãi ê
hirigo gãi bãi ê

[/quote] [/spoiler] [spoiler title=”Yanahuari Nïn” open=”0″ style=”1″]

de lila downs. Filha de mãe indígena e pai cineasta, lila downs nasceu em oaxaca, no méxico, em 1968. durante a adolescência morou nos estados unidos, onde estudou canto e antropologia.  “yanahuari nïn” significa mulher de huipil, traje comum de mulheres do povo indígena triqui, uma das 16 etnias do estado de oaxaca, no méxico. o cd una sangre (2004), é o quarto trabalho de lila downs e contém canções que versam sobre imigração, discriminação e uma homenagem à defensora de direitos humanos digna ochoa.

[/spoiler] [spoiler title=”Llaquina warmi” open=”0″ style=”1″]

composição do povo quíchua (ou kichwa) de pastaza, que em idioma shuar quer dizer rio grande. pastaza é a província mais extensa do equador e os quíchuas, denominados também canelos ou alamas, foram os primeiros indígenas da amazônia a serem submetidos ao cristianismo. “llakina  warmi (ámame mujer)”  é interpretada por javier grefa com um julawatu, flauta transversal de caña guadu (um tipo de bambu) e é um canto amoroso de reconciliação que significa “amémonos, no peleemos”.

[/spoiler] [spoiler title=”Tso Ere Poma” open=”0″ style=”1″]

canção tradicional da nação karitiana, de rondônia, norte do brasil, incluída no cd canções do brasil, do selo palavra cantada, coordenado por paulo tatit e sandra peres. interpretada por dardete karitiana, esta canção foi traduzida para o português por marlui miranda. de acordo com as informações do encarte do cd, “tso ere poma” é a observação de uma criança karitana dizendo “eu vou pegar” numa caçada em que volta para casa trazendo no seu cesto um tatu para brincar.

[quote style=”1″]

uy poma, uy poma i ay ta ka´ay un mi´ay i ay ta ka´ay un mi´ay
buh uy, buh uy i ay ta ka´ay un mi´ay i ay ta ka´ay un mi´ay
ti ka´au tso ere uy poma i ay ta ka´ay un mi´ay i ay ta ka´ay un mi´ay
uy poma, uy poma i ay ta ka´ay un mi´ay i ay ta ka´ay un mi´ay
vou brincar, vou brincar vou pegar, pegar vamos longe vou pegar, pegar tatu vai brincar comigo vou pegar, pegar

[/quote] [/spoiler] [spoiler title=”Toque de flauta a cargo de las mujeres” open=”0″ style=”1″]

composição que integra o disco-livro kosmofonia mbya, resultado da investigação do etnólogo e musicólogo guillermo sequera sobre o patrimônio imaterial das culturas  mbya guarani. o livro, organizado pelo poeta douglas diegues,  vem acompanhado de um cd, em que podemos escutar os sons da selva, dos animais, o riso das crianças brincando em um rio, hinos sagrados, como no  ritual para moer o milho. escute o “toque de flauta a cargo de las mujeres” e conheça mais sobre os  mbya guarani aqui.

[/spoiler] [spoiler title=”Yapinilke Mapu” open=”0″ style=”1″]

tema interpretado pela cantora e pesquisadora beatriz pichi malen. nascida na comunidade de los toldos, buenos aires, argentina, beatriz pichi malen tem divulgado  a herança cultural da nação indígena mapuche através da realização de seminários, conferências, cursos e, sobretudo, através da  música. o disco plata, do qual faz parte a canção “yapinilke mapu” (terra de yapinilke), traz um repertório de canções antigas que retratam histórias dessas comunidades, como diz beatriz “en realidad cuando se interpreta un canto, tiene una historia. el canto mapuche nace siempre de un argumento, sagrado o popular.

[/spoiler] [spoiler title=”Tinkuman” open=”0″ style=”1″]

interpretada em língua aimará por mariana baraj, uma cantora e percussionista argentina que tem experimentado combinar as tradições musicais de seu país, com  pop,  jazz e música eletrônica. “tinkuman” foi composta por luzmila carpio, cantora boliviana pertencente à comunidade quechua de potosí. confira a releitura desta canção  feita por mariana baraj  em  que se destaca a percussão e o acordeón de leonora arbiser baraj.

[/spoiler] [spoiler title=”Nhamandu mirim” open=”0″ style=”1″]

integra o cd kangwaá – cantando para nhanderu. este projeto é resultado do interesse das comunidades nhamandu mirim e piaçaguera, comunidades indígenas guaranis  de bananal, pela divulgação dos saberes ancestrais através da música. fazem este trabalho em parceria com a abaçaí cultura e arte. desta forma, buscou-se registrar as práticas e expressões culturais como forma de visibilizar as diversas culturas que contribuíram para a formação da(s) cultura brasileira(s).a canção “nhamandu mirim”, composta por itá mirim e kunha dju,  é também o nome de uma das comunidades indígenas localizadas em são paulo.

[/spoiler] [spoiler title=”Relato sobre el uso de los sikus” open=”0″ style=”1″]

do cd  cantos y toques instrumentales, que faz parte do programa da unesco la voz de los sin voz.  nesta canção, encontramos referencia ao instrumento de sopro sikus, uma flauta vertical composta de duas fileiras de seis e sete tubos de cana, de diferentes comprimentos. o instrumento é muito usado nos andes, e aqui diferentes sikus de diversos tamanhos são executados em diálogo.

[/spoiler] [spoiler title=”Sikuriada (Diana)” open=”0″ style=”1″]

mais uma composição do álbum cantos y toques instrumentales, trabalho vinculado ao programa la voz de los sin voz. esta canção é da banda sikuris virgen del valle, da cidade de molulo, e para interpretá-la conta com dez sikus, um bombo, uma caixa e um par de pratos.

[/spoiler] [spoiler title=”Canto a Gun Chao y Gun Kushé” open=”0″ style=”1″]

canção que faz parte do disco-livro vidas con historia- volumen 3, lançado pelo projeto la voz de los sin voz. este projeto procura tornar visíveis as práticas culturais e artísticas  de grupos que mantém suas heranças ancestrais na américa latina. neste terceiro volume, buscou-se documentar personagens que contribuem para manutenção do patrimônio imaterial latino-americano, como  carmen inalef. neste disco, ela interpreta o “canto a gun chao y gun kushé” –  dedicado ao pai e à mãe deus. carmen inalef entoa este canto a cada pôr do sol em dias de lua cheia, olhando em direção ao leste, ponto cardeal que os mapuches consideram como benéfico, enquanto se fuma tabaco.

[/spoiler] [spoiler title=”Nhee oo maramó” open=”0″ style=”1″]

canção presente no álbum da tribo tupi guarani intitulado kangwaá – cantando para nhanderu. este trabalho foi desenvolvido junto aos indígenas das aldeias bananal, nhamandu mirim e piaçaguera do litoral sul de são paulo. a autoria é de catarina (nimbopyrua). confira o vídeo abaixo para saber mais sobre projeto.

[quote style=”1″]

nhee ooma ramõ
tape puku rewe o’o
onimoiti rewe o’o
a’é onimoiteima ramõ
lambare omae
lambare o ma’e

[/quote] [/spoiler] [spoiler title=”Q’Ara Chuncho” open=”0″ style=”1″]

canção tradicional de cusco, interpretada por alejandro chávez e por miguel príncipe, presente no cd real andes series vol 1 (2006), uma antologia que demonstra a grande variedade de gêneros da música andina peruana. O cd foi produzido pelo músico miki gonzález, que se dedicou durante um tempo a pesquisar a música das comunidades andinas do peru.

[/spoiler] [spoiler title=”Seneekya D’manedwa (Natureza)” open=”0″ style=”1″]

canção do grupo fethxá, formado por integrantes da tribo fulni ô, situada no município de águas belas, pernambuco. comandada pelo mestre matinho, o grupo tem como intuito preservar e divulgar a cultura indígena, sua língua, rituais, músicas e danças. confira abaixo a letra da canção “seneekya d’manedwa”, que está presente no cd fethxá – cantando com o sol.

[quote style=”1″]

“otxaytoasato kexa sdê etxma-se
oowa kexa-ke
setso sato tha kek’nekase
tha-dê txhleka êêgea tha tak’kase

seneekya koka êflek’dá

toona d’manedwa êfleka-he

txhleka êêfea flithia etxhookya
fluthia fea fakheekya
la toona kaka etxhookya
toonakaka seneekya d’manedwa rsá

êxkheiane y-kek’nekase
kek’nedwa txaka

setso êtgo eefeatsa
setsookya ke txhleka fese

êxkheiane y-kek’nekase
kek’nedwa txaka
oowa kexa tha etxk’he ekmase
500 sokhlok’dookya hetei
setso sehle

êxkheiane y-kek’nekase
kek’nedwa txaka

os portugueses eles chegaram
chegaram no brasil
enganaram os indios
e levaram o pau-brasil

não acabe com a floresta
que acaba a natureza

a floresta puxa a chuva
a chuva molha a terra
a terra dá lavoura
e tudo é da natureza”

[/quote] [/spoiler] [spoiler title=”Araruna” open=”0″ style=”1″]

“araruna” é um canto dos índios parakanã, do pará, e significa arara azul. a canção foi gravada por marlui miranda, cantora, compositora e pesquisadora de musicalidades das nações indígenas brasileiras. a artista dirige a associação ihu pro música e arte indígenas, uma instituição cultural privada sem fins lucrativos. recebeu diversos prêmios por seus trabalhos, entre eles a ordem do mérito cultural do mistério da cultura em 2002, e o da academia alemã de crítica (schallplattenkritik) em 1996, pelo cd ihu – todos os sons, onde está presente a canção araruna.

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