canção dos griots (do filme sarraounia)

“Nas civilizações orais, a palavra compromete o homem, a palavra é o homem. Daí o respeito profundo pelas narrativas tradicionais legadas pelo passado, nas quais é permitido o ornamento na forma ou na apresentação poética, mas onde a trama permanece imutável através dos séculos, veiculada por uma memória prodigiosa que é a característica própria dos povos de tradição oral. Na civilização moderna, o papel substitui a palavra. É ele que compromete o homem. ” bâ, amadou hampâ – tradução de daniela moreau (texto originalmente editado em francês como capítulo do livro aspects de la civilization africaine, paris, ed. présence africaine, 1972 e publicado em português na revista thot, n. 64, 1997).

Canção dos Griots (do filme sarraounia)

Que restaria dos grandes feitos se não houvesse os nossos músicos?
Com sua opulenta memória e vivas canções eles os preservam para sempre.
Que grande feito seria capaz de sobreviver sem essas canções?
Quem jamais se lembraria de Sunjata Keita, e de sua coragem maior do que as outras, se não fosse o talento de Jeli Kuma, seu fiel músico e companheiro?
Quem recordaria ainda o supremo sacrifício do grande Babemba nas ensangüentadas ruinas de Sikasso?
Que restaria do que fizeram os homens depois que desaparecem e seus corpos viram pó?
Nada senão a obscuridade do esquecimento, esquecimento que é como a cinza, cinza fria depois do incêndio da floresta, pois a memória humana é breve.
Nem os atos mais gloriosos atravessariam o tempo sem a constância dedicada dos cantores e músicos.
São eles que os imortalizam e os transportam através das idades.


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