cássio jônatas

cássio jônatas alves evangelista, nasceu em 31 de março de 1990, em salvador-ba. é formado em ciências contábeis pela faculdade ruy barbosa. atualmente, cursa bacharelado em artes na universidade federal da bahia.
começou a adentrar no mundo da poesia em julho de 2012, a partir de insights cotidianos e do legado transmitido pelo pai, danilo evangelista: um antigo poeta. acontecimentos estes que te inspiraram e possibilitaram a publicação de versos na internet. que, com o passar do tempo, tornaram-se poemas, que retratam o seu mundo exterior e sua mente inquieta.
ele tenta desconstruir estereótipos e dar voz aos invisibilizados através da arte poética. atualmente, na sua página no facebook: liberta dor, ele vive libertando suas dores e sangrando palavras. leva como lema a frase: “minha vida é uma arte e eu sou a poesia”.

 

não há tristeza

mais feliz

do que a saudade

nem felicidade

mais triste

do que a vingança

não há tristeza

mais triste

do que a realidade

nem felicidade

mais feliz

do que ser criança.

 

fall-cidade

sou candidato a ver-a-dor

prometo não prometer

não sei o que quero da vida

vivo sem querer…

tantas pistas, tantas pistas…

pra que?

fui programado

pra reprisar

o sentimento represado…

no beco da mente

morre mais um verso

marginalizado…

e os que se dizem

donos da rua

tentam calar a natureza…

mas não vão conseguir!

não vão conseguir!

mesmo nas gaiolas, os pássaros agonizam

nas ruas abafadas, as árvores sussurram

agora, estou em apuros…

caminho pela cidade:

tento andar no centro

e encontro essas almas

requentadas

tento andar à margem

mas a margem

já está delimitada

então resolvo criar

minha própria estrada

sigo adiante

vejo um sinal…

sinal vermelho!

minha

veloz

mente…

veloz

mente!

atropela

o meu silêncio

meu coração

diz

para…

diz

para!

assim, torno-me poesia ambulante

que não perde a viagem…

vejo ali na esquina

a loucura sendo fabricada:

enquanto eu me embriago do agora

você vem destilando a sua raiva

tudo isso pra nada…

tudo isso pra nada…

por que logo eu

fui cair nessa cilada?

vendi o meu precioso tempo

pra comprar essas verdades enlatadas

tudo isso pra nada…

tudo isso pra nada…

desanimado, subo o morro

peço socorro!

corro

corro

de repente, desacelero…

meus pensamentos engarrafam

meus olhos alagam

e cai dos meus olhos

um gota de sangue:

é com essa gota

que eu denuncio

toda essa fall-cidade.

vestir-burlar

resolvi

vestir amor

vestir poesia

confabular…

burlar a vida

escrevi

essas-palavras-algemadas

essas-frases-carcomidas

comi-as-letra

só-pra-caber-nas-linha

…desde pequeno

sempre me diziam:

“vai estudar!

vai virar gente, menino!”

até tentei virar gente

mas me amolaram tanto

me amolaram tanto…

me tornei pungente

rasguei a cartilha do medo

cursei a faculdade do gueto

aprendi a desaprender

o bê-a-bá do preconceito

resolvi

desvestir meias-palavras

vestir simplicidade

burlar a tirania

burlar a realidade…

sou página irada!

sou o rascunho que você amassou

não aceito migalhas!

minha cota de paciência esgotou!

e mostro pra vocês

minha lição nua

sem moral nenhuma…

não faço questão de saber

o x da questão…

eu desfaço o x

desfaço a questão

eu questiono…

a dona norma é autoritária

mas não conseguiu me limitar

escrevi esse texto

sem pretextos…

falei por falar

o professor doutor se espantou

com as marcas que deixei

no corpo da página

e pediu pra eu me explicar…

calei por calar.

 

penitência

minha vida é assim

eu te sirvo

sou teu servo

me esqueci de mim

não me tenho

só me ferro…

tenho esses olhos

esses olhos cintilantes

com esse olhar

tão distante:

um poço de lágrimas

tenho essa boca

essa boca educada

essa boca pacífica

que abriga

um mar de palavras

tenho essas mãos

domesticadas

essas mãos tão cansadas:

uma cansada do sermão

outra cansada de ser mão

tenho esses pés

que não pestanejam

esses pés sem chão:

um pé na realidade

outro pé na ilusão

tenho esse corpo

corpo bem ajustado

esse corpo imóvel

com desejos

engavetados

e tenho esse eu

esse eu tão intenso

que aguenta calado

o peso

do silêncio.

 


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