compArte pela humanidade – programação salvador/ba

“acreditamos”, disse o subcomandante insurgente galeano (antes marcos) numa carta ao romancista mexicano juan villoro, “que a possibilidade de um mundo melhor radica fora da máquina (…), e sua possibilidade sustenta-se num tripé (…): as artes, as ciências e os povos originários e os porões da humanidade.” “escrevi ‘as artes’”, continua o subcomandante, “porque são elas (e não a política) as que cavam no que há de mais profundo no ser humano e resgatam sua essência. Como se o mundo continuasse o mesmo, mas com elas e por elas pudéssemos encontrar a possibilidade humana no meio de tantas engrenagens, porcas e molas rangendo mal-humoradas. Diferentemente da política, a arte não tenta reajustar ou consertar a máquina. Ela faz algo mais subversivo e inquietante: mostra a possibilidade de outro mundo.” Para os zapatistas, nesta sua mais recente fase de luta, as artes e as ciências são o fundamento para a construção de outro mundo: arma revolucionária nas

Mãos dos povos originários e de todos aqueles que vivemos e lutamos nos porões da humanidade. Por isso, o ezln está organizando dois eventos mundiais nos próximos meses: o festival de artes “comparte pela humanidade”, de 23 a 30 de julho de 2016 em chiapas, méxico, com a participação de artistas de todas partes do mundo; e o encontro de ciências “@s zapatistas e as conciências pela humanidade”, de 25 de dezembro a 4 de janeiro, também em chiapas. Como parte da iniciativa, lançaram o convite para criarmos sedes alternas do festival “comparte” em qualquer parte do mundo. Assim nasceu a ideia de criar duas sedes alternas do festival de artes “comparte” em salvador, bahia. Um encontro de artistas que acreditamos que, para enfrentar a tempestade dos nossos tempos, é preciso sair da máquina e criar outro mundo na prática. Abaixo, a programação de salvador (com um agradecimento muito especial a todxs xs artistas e coletivos que apoiaram esta iniciativa!) Todas as atividades são gratuitas.

Quinta-feira, 21 de julho de 2016 

O que: bate-papo sobre literatura e re-existências, com a participação do escritor e jornalista mexicano alejandro reyes (de radio zapatista), autor, entre outras obras, do romance a rainha do cine roma:  http://arainhadocineroma.blogspot.com.br/

Onde: livraria boto cor de rosa ( rua marquês de caravelas, 328 – barra, salvador

Telefone: (71) 3018-0006

Hora: 17h30

Sexta-feira, 22 de julho de 2016 

O que: intervenções artísticas diversas

Onde: biblioteca central da ufba e no auditório do paf1, campus ondina, salvador.

Hora: 15h00

Quem participa: 

Música e poesia

Batucada feminista – grupo de mulheres militantes, feministas, anti-capitalistas e anti-racistas, que no brasil surge em 2003 como mais um instrumento de luta da marcha mundial das mulheres. Faz parte das ações contra a mercantilização do corpo e da vida das mulheres.

Evangel vale – mpb, voz e violão (composições próprias)

Sergio bahialista – poeta, educador e cordelista baiano, atuou no Centro de Referência Integral de Adolescentes (CRIA) e foi um dos fundadores do Sarau da Onça ivan maia – poeta, educador e pesquisador pernambucano, criador das iniciativas filosofenix, artesudos e corpoema

Wilson alves bezerra – escritor paulistano, Histórias Zoófilas e outras atrocidades (2013), Vertigens (2015) e do recém lançado O Pau do Brasil marcos araújo – está poeta de lua, drag queen de ocasião,  ator baiano em iniciação, enegrece o bacharelado interdisciplinar de humanidades, resiste no terceiro semestre,  não é da paz.

+ microfone aberto para participações espontâneas

Artes visuais e outras intervenções

Cristiano pitón + biblioteca caravelas 

Ações silenciosas que acontecerão todo o tempo. Trata-se de pesquisa em poéticas visuais que visa a criação de dispositivos, como objetos e propostas deflagradoras de ações artísticas coletivas, explorando técnicas e meios diversos, que possam ser geradas e/ou usufruídas individual ou coletivamente. Toma-se como ponto de partida pesquisar o formato livro como objeto plástico e dispositivo de participação, visando criar, recriar e expandir a ideia de livros com diferenciados formatos, funções, tamanhos e materiais, para formar as bibliotecas caravelas. Estas bibliotecas surgem em processos colaborativos, integrando diversos fluxos: criações artísticas pessoais, em coletivos e criações com os estudantes da eba-ufba.

José miguel gonzález casanova (méxico) 

Visionario, novela gráfica utópica. Conjunto de 480 desenhos em tamaño a4 expostos numa linha de 100 metros para que sejam “lidos” como uma espécie de códice.

Banco dos irreais apresentação do projeto de economia solidária que desenvolve atualmente no rio de janeiro.

Dança / performance

Tororó – palhaça colombiana

Aurora – direção e coreografia: arieli batista, fernanda fonseca, flávio bueno, luana fulô, sauara costa

Mais de 20 anos de ditadura, 434 mortes e desaparecimentos confirmados pela cnv (comissão nacional da verdade), milhares de pessoas perseguidas e torturadas. E o que sabemos de fato? Tão pouco quanto nos é contado. Livros, jornais, revistas, internet, nada é suficiente reconstruir este capítulo rasurado com sangue em nossa história. Nossos heróis não têm monumentos, ruas, ou avenidas em sua homenagem, a eles só restam as cicatrizes e as perdas que o espelho insiste em relembrar. Aurora é fruto de inquietações, insatisfações, e pesquisas acerca da ditadura militar brasileira, suas consequências e reverberações na sociedade atual. Nesta perspectiva, este fragmento apresentado traz uma discussão sobre as torturas aplicadas às pessoas consideradas subversivas ao sistema imposto e como estas se transformam e continuam presentes no cotidiano brasileiro.

Sábado, 23 de julho – bairro do calabar, salvador

Onde: biblioteca comunitária do calabar, praça 11 de maio nº 67-e (próximo à base comunitária de segurança) –bibliotecadocalabar.blogspot.com.br

O que: caminhada literária, que sairá do camarão (entrada do calabar pela ondina), com malabarismo e o palhaço capivara, seguindo até a biblioteca. Estamos recolhendo livros infantis e revistas em quadrinhos para ofertar durante o percurso.

Hora: 14h00

Participam:

Palhaço capvara

Companhia de dança isô, foi criada em 2013, por um coletivo de jovens da escola de dança da funceb. Tem como diretor yure reis, jovem morador do calabar, que também implantou o projeto na comunidade, e tem feito

Apresentações, cursos, concursos, oficinas e responsável por criações de obras como “águas”, ‘enigmas”, e “medos” como espetáculos de dança.

Wilson alves bezerra (são paulo) – escritor, tradutor, crítico literário e professor de literatura. Bate papo de lançamento de seu mais recente livro o pau do brasil (poemas em prosa). É autor dos seguintes ensaios: reverberações da fronteira em horacio quiroga (humanitas/fapesp, 2008) e da clínica do desejo a sua escrita (mercado de letras/fapesp, 2012); e das seguintes obras literárias: histórias zoófilas e outras atrocidades (contos, edufscar/ oitava rima, 2013), vertigens (poemas em prosa, iluminuras, 2015) e o pau do brasil (poemas em prosa, urutau, 2016).

Grupo vozes reveladas:  criado há 12 anos pelo maestro sergio souto, o grupo vozes reveladas nasceu do programa arte talento e cidadania e é formado por 24 jovens, todos oriundos de comunidades populares de salvador. Foi grupo residente da escola de dança da ufba de 2008 a 2014. O repertório musical e o processo artístico-educativo desenvolvido nas apresentações e nas aulas propostas apresentam uma experimentação de conhecimentos que remetem às matrizes culturais populares e africanas e à necessidade de compreensão e apropriação desta cultura. Assim questões de identidades, desenvolvimento e intercâmbio com outras expressões culturais, resistência e pertencimento, são tratados sempre estimulando o diálogo e conhecimentos relativos à formação do povo brasileiro.

Conexão direitos humanos:  espetáculo de cordel, com inserções de outros gêneros, como aventura, propaganda e novela. Conta a história dos habitantes da cidade “sim, senhor” que passam a conhecer seus direitos e entender como aplicá-los no dia a dia. O espetáculo, realizado por jovens de 14 a 20 anos, propõe um debate sobre os aspectos filosóficos dos direitos, as violações cotidianas e o peso dessas violações sobre as pessoas. Apresenta uma concepção geral de direitos e igualdade, inclusive na diferença, buscando envolver a todos numa reflexão sobre o mundo em que vivemos e sobre nós mesmos. Espetáculo montado pelo grupo de teatro conexão arte e vida, projeto criado pelo grupo de apoio à prevenção à aids da bahia (gapa-bahia).

 

 

Mais informações: www.latitudeslatinas.com

Contato: (71) 99308 4770

Contato@latitudeslatinas.com

 


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