as tamboreras, no festival latitudes latinas

seguiu quente a segunda parte da oficina ritmos afrolatino-americanos, com a condução de vivi pozzebón, lili zavala, nei sacramento e gabi guedes,  programação de ontem, 9 de novembro, no i festival latitudes latinas, mam, salvador, bahia. na primeira parte, pablo suárez, vivi pozzebón, richard serrraria e lucas kinoshita compartilharam seus saberes.

animadas pela jam session da noite anterior, as mulheres tamboreras da argentinavivi pozzebón, lili zavala, iniciaram o dia cantando coplas, ritmo antigo do noroeste da argentina. depois, fizeram um canto para eleguá, ou elegbará, aquele que abre os caminhos (exú?). nesse momento convidaram gabi guedes a assumir o terceiro tambor.

vivi tocou durante algum tempo com a banda de boca en boca en córdoba argentina. ela trabalha a partir da fusão de ritmos folk regionais e sons elétricos. mistura tambores e bits = tamboorbeat, gerando assim uma proposta inovadora. seu atual projeto, madre baile, assim como a oficina, refletiram um tanto disso.

junto com lili zavala desenvolve o projeto tamboreras, voltado para a pesquisa e fortalecimento da atuação profissional das mulheres na percussão. africanizam ritmos argentinos mais contemporâneos e pesquisam ritmos que estão se perdendo. elas contaram dos desafios de ligar o mundo da percussão com o modo de ler, executar e compor a música ocidental.

para demonstrar isso, ela apresentou aos participantes da oficina uma música de domingo cura, famoso músico argentino que toca o bombo, um tambor típico dos festejos afro-religiosos do norte da argentina. para ela, essa música é uma espécie de concerto africano, em que as “capas” tímbricas da percussão são evidenciadas (e qualquer ouvido menos treinado é capaz de perceber) e outra de gustavo cerati que fala da cura. depois mostrou o resultado da mistura que fez das duas, a música sulki, do cd madre baile e convidou o grupo para tocar junto, ensinando as batidas.

o segundo momento da oficina ficou a cargo de gabi guedes e nei sacramento.

gabi guedes nasceu no alto do gantois, em salvador. com pouco mais de 10 anos iniciou os estudos de percussão com os alabás do terreiro do gantois. ele é muito magro, fino mesmo. mas os tambores crescem nas mãos de gabi guedes e ele não se apequena. vira um gigante. parece que tem muitas mãos porque o som dos atabaques se multiplicam.

ambientado e inspirado pela cosmovisão do candomblé, gabi tocou o atabaque rum, que é o mais grave entre os três (rum, pi, lé) usados nas cerimônias religiosas para chamar os encantados para perto.

ele escolheu ensinar ao grupo como se faz o ijexá ritmo tão comum ao povo que vive em salvador e que “leva” ou “puxa” o afoxé – expressão do candomblé na rua.

nei sacramento é músico e pesquisador baiano, dirige o grupo musical O Kontra, e compõe a trilha musical das aulas de Técnica Silvestre no Brasil. um ritmo do candomblé. para nei todas as pessoas têm ritmo e podem tocar. para despertar o ritmo de cada um, ele usa o método primário em que inventa uma novo jeito de escrever e ler a música.

juntos eles realmente fizeram um show à parte: a mostra viva e encorpada da diversidade afropercussiva presente no brasil (bahia) e na argentina (córdoba).

texto: scheilla gumes | foto: raiane vasconcelos

toda a cobertura fotográfica do festival aqui


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