flores en el mar

dois de fevereiro. dia de jogar flores no mar. dia de agradecer e abraçar. dia da rainha do mar. dia dois de fevereiro. festa de iemanjá. nesta edição a gente traz uma seleção de canções brasileiras que fazem a trilha sonora desta que é uma das grandes festas da tradição afro-brasileira. mas teremos também canções nas quais nossos vizinhos celebram a rainha do mar e canções que falam da relação que algumas comunidades destas latitudes têm com o mar. mergulhe com sorriso de gratidão e braços abertos nesta viagem. e não perca a segunda entrega de en órbita, que da colômbia nos envia também uma canção dedicada ao mar.

confira as canções e os artistas desta edição

[spoiler title=”iemanjá, rainha do mar” open=”0″ style=”1″]

com letra paulo cesar pinheiro e pedro amorim, esta canção faz parte do cd dentro do mar tem rio  (2007) da cantora  maria bethânia. esta canção faz uma homenagem a iemanjá, orixá feminino que tem o domínio dos oceanos e protege marinheiros e pescadores.  o nome iemanjá deriva de  yeyê-omó-ejá, que significa mãe cujos os filhos são peixes. 02 de fevereiro, nas cidades litorâneas, é o dia de fazer homenagens a esta orixá querida e popular. confira o vídeo e a letra da canção.

[quote style=”1″]

Quanto nome tem a Rainha do Mar?
Quanto nome tem a Rainha do Mar?
Dandalunda, Janaína,
Marabô, Princesa de Aiocá,
Inaê, Sereia, Mucunã,
Maria, Dona Iemanjá.
Onde ela vive?
Onde ela mora?
Nas águas,
Na loca de pedra,
Num palácio encantado,
No fundo do mar.
O que ela gosta?
O que ela adora?
Perfume,
Flor, espelho e pente
Toda sorte de presente
Pra ela se enfeitar.
Como se saúda a Rainha do Mar?
Como se saúda a Rainha do Mar?
Alodê, Odofiaba,
Minha-mãe, Mãe-d’água,
Odoyá!
Qual é seu dia,
Nossa Senhora?
É dia dois de fevereiro
Quando na beira da praia
Eu vou me abençoar.
O que ela canta?
Por que ela chora?
Só canta cantiga bonita
Chora quando fica aflita
Se você chorar.
Quem é que já viu a Rainha do Mar?
Quem é que já viu a Rainha do Mar?
Pescador e marinheiro
que escuta a sereia cantar
é com o povo que é praiero
que dona Iemanjá quer se casar.

[/quote] [/spoiler] [spoiler title=”iemanjá” open=”0″ style=”1″]

canção interpretada pelo cantor aluísio menezes para o cd  xirê reverb, lançado em 2011 por guga stroeter e orquestra hb.  este trabalho foi idealizado e produzido pelo músico guga stroeter com intuito de homenagear a cultura afro-brasileira.  para isso, ele convidou o cantor e ator baiano aloísio menezes para ser o intérprete das canções. neste disco, foram selecionados cânticos dedicados aos orixás, que são entoados em terreiros de candomblé de nação ketu. para dar uma sonoridade mais contemporânea aos cânticos, foram acrescidos instrumentos de sopro, contrabaixo, piano, vibrafone e recursos eletrônicos.

[/spoiler] [spoiler title=”O Mar Serenou” open=”0″ style=”1″]

canção que faz parte do disco assim que se faz (2002) da cantora brasileira luciana mello. esse é o segundo trabalho da carreira artística  de luciana mello, no qual que se destaca a influência da música norte americana, da black music e da mpb.  “o mar serenou” é uma canção de autoria de candeia, sambista e compositor brasileiro, e fez bastante sucesso na voz da cantora clara nunes, em 1974.  luciana melo retoma este clássico em uma interpretação  à capela, tendo ao fundo o barulho das ondas do mar. confira a letra.

[quote style=”1″]

O Mar Serenou
O mar serenou quando ela pisou na areia
Quem samba na beira do mar é sereia
O pescador não tem medo
É segredo se volta ou se fica no fundo do mar
Ao ver a morena bonita sambando
Se explica que não vai pescar
Deixa o mar serenar
O mar serenou quando ela pisou na areia
Quem samba na beira do mar é sereia
A lua brilhava vaidosa
De si orgulhosa e prosa com que deus lhe deu
Ao ver a morena sambando Foi se acabrunhando então adormeceu o sol apareceu
O mar serenou quando ela pisou na areia
Quem samba na beira do mar é sereia
Um frio danado que vinha
Do lado gelado que o povo até se intimidou
Morena aceitou o desafio Sambou e o frio sentiu seu calor e o samba se esquentou
O mar serenou quando ela pisou na areia
Quem samba na beira do mar é sereia
A estrela que estava escondida
Sentiu-se atraída depois então
apareceu
Mas ficou tão enternecida Indagou a si mesma a estrela afinal será ela ou sou eu
O mar serenou quando ela pisou na areia
Quem samba na beira do mar é sereia.

[/quote] [/spoiler] [spoiler title=”Lamento às Águas” open=”0″ style=”1″]

composta por mateus aleluia e por dadinho, é a sétima faixa do álbum cinco sentido, lançado pelo cantor, compositor e instrumentista brasileiro mateus aleluia. o início da carreira artística de mateus aleluia ocorre com o grupo baiano os tincoãs. nos anos 60, os tincoãs tinham uma proposta musical voltada para o bolero. com a chegada de mateus ao grupo – junto a heraldo e dadinho – há uma mudança na temática musical. o trio começa a trabalhar com canções dos terreiros de candomblé e umbanda, além do samba de roda. os tincoãs levaram para o contexto brasileiro o modo particular de expressar a ancestralidade da cultura afro-baiana. neste disco, mateus aleluia mantém a base da musicalidade ancestral e propõe o diálogo com a música contemporânea. fabiana aleluia e gabi guedes participam da canção “lamento às águas”.

[quote style=”1″]

É niboboiá cabirê ô yabá
Na beira do mar chamarei por Iemanjá
Olhai mãe Santa, meu pranto de dor
Feito em seu louvor, Iemanjá
Iemanjá escutai meu clamor ( Iemanjá leru… boaô)
Iemanjá, aliviai minha dor (Iemanjá leru… boaô)
Na beira do mar chamarei por  Iemanjá
É niboboiá cabirê Iemanjá
Odé, Oxossi, Ogun, Ajunssun
Iemanjá leru… boaô
Iemanjá leru… boaô
Iemanjá leru… boaô
É niboboiá chamarei por Iemanjá
Na beira do mar clamarei por Iemanjá
o mar serenou
iemanjá

[/quote] [/spoiler] [spoiler title=”Iemanjá” open=”0″ style=”1″]

do álbum agô – cantos sagrados de brasil e cuba. o disco, que foi gravado entre havana e salvador, é fruto de um trabalho conjunto entre o grupo abaçaí, a orquestra hb e músicos cubanos. tem como proposta mostrar as origens comuns entre o candomblé brasileiro e a santeria cubana através de cantos para os orixás.

[/spoiler] [spoiler title=”Janaína” open=”0″ style=”1″]

do pernambucano otto. composta em parceria com fernando catatau, pupillo e dengue, faz parte do cd certa manhã acordei de sonhos intranquilos (2009), título que remete à frase de início do livro a metamorfose, de franz kafka.  “janaína” é uma canção-convite a participar da festa de iemanjá e a presenteá-la no seu dia. assista ao videoclipe da canção, gravado no bairro do rio vermelho, em salvador, no dia da festa da rainha do mar.

[quote style=”1″]

Disse um velho orixá pra oxalá
Pra acreditar
Pra não temer, temer, temer
Desses tempos verdadeiros
Tempos maus
Disse um velho orixá pra oxalá
Pra acreditar
Pra não temer, temer, temer
Desses tempos verdadeiros
Tempos maus
Dia 2 de fevereiro
Dia de Iemanjá
Vá pra perto do mar
Leve mimos pra sereira
Janaína Iemanjá
Pra perto do mar
Leve mimos pra sereia
Janaína Iemanjá
Havia rosas no mar
Havia ondas na areia
Lá em Rio Vermelho
Em Salvador
Vamos dançar
Dia 2 de fevereiro
Dia de Iemanjá
Leve mimos pra sereira
Janaína Iemanjá
Disse um velho orixá pra oxalá
Pra não temer
Pra não temer
Dia 2 de fevereiro
Festa lá no Rio Vermelho
Em Salvador vamos dançar
Leve mimos pra sereia
Janaína Iemanjá
Havia rosas no mar
Havia ondas na areia
Vá brincar no Rio Vermelho
A festa de Iemanjá
Salvador está em festa
Vou cantar
Vou cantar, ahhhhh
Pra saudade sereia
Vai brincar na areia
Para acreditar
Pra saudade sereia
Vista de branco
Dia de lua cheia

[/quote] [/spoiler] [spoiler title=”Agradecer E Abraçar” open=”0″ style=”1″]

composta por vevé calazans em parceria com gerônimo, esta canção já foi gravada por inúmeros artistas, como maria bethania e fabiana cozza. “agradecer e abraçar”, é uma canção de louvor ao mar, com trechos em yorubá de canções executadas comumente em terreiros de candomblé de nação iiexá. aqui é interpretada por gerônimo, o grupo abaçaí e pela orquestra hb (heartbreakers) no disco agô- cantos sagrados de brasil e cuba.

[quote style=”1″]

Abraçei o mar na lua cheia
Abraçei o mar
Abraçei o mar na lua cheia
Abraçei o mar
Escolhi melhor os pensamentos, pensei
Abraçei o mar
É festa no céu é lua cheia, sonhei
Abraçei o mar
E na hora marcada
Dona alvorada chegou para se banhar
E nada pediu, cantou pra o mar (e nada pediu)
Conversou com mar (e nada pediu)
E o dia sorriu…
Uma dúzia de rosas, cheiro de alfazema
Presente eu fui levar
E nada pedi, entreguei ao mar (e nada pedi)
Me molhei no mar (e nada pedi) só agradeci

[/quote] [/spoiler] [spoiler title=”Flores en el mar” open=”0″ style=”1″]

gravada originalmente no cd llueve (1998) e regravada em 2008 no álbum duplo cara b, do cantor e compositor uruguaio jorge drexler. esta canção faz referência ao ritual de oferecer flores à orixá iemanjá, cerimônia que se realiza em diferentes praias de cidades brasileiras, mas também ocorre em cuba e nas cidades de montevidéu (uruguai) e ciudad de la plata (argentina).

[quote style=”1″]

Hay flores en el mar,
hay flores en el mar.

En el borde de tu falda hoy
te vienen a entregar,
madre fuerza de las aguas,
flores blancas en el mar.

Hay flores en el mar,
hay flores en el mar.

En el borde de tus barcas
una tenue claridad,
y en los hojos de tus hijos
se te puede adivinar.

Hay flores en el mar,
hay flores en el mar.
Hay flores en el mar,
hay flores en el mar.

Se van las barcas de Iemanjá,
se van las barcas de Iemanjá.

En el borde de tus aguas
hay un murmullo de sal,
son aladas tus espumas,
es salado tu cantar.

Hay flores en el mar,
hay flores en el mar.

(Todos saben que en febrero crecen flores en el mar)
(Quién no sabe que en febrero crecen flores en el mar)

[/quote] [/spoiler] [spoiler title=”A La Reina Del Mar” open=”0″ style=”1″]

“a la reina del mar”  é um canto em homenagem à virgem negra iemanjá, que na tradição cubana é sincretizada com “la virgen de la regla”. a canção foi composta e interpretada por celina y reutilio, um casal de cantores cubanos que nos anos 40 trouxe a musicalidade do campo, como el punto guajiro, e o combinaram com cânticos dedicados aos orixás da santería cubana em diálogo com elementos da religião católica.

[/spoiler] [spoiler title=”Yemaya” open=”0″ style=”1″]

considerada a  rainha da salsa, célia cruz é uma prestigiada cantora cubana que começou sua carreira como integrante da orquestra sonora matancera,  grupo que marcou a história da musica afro-cubana. dona de uma voz potente e inconfundível, logo seu talento obteve reconhecimento internacional. durante os 50 anos de uma carreira gloriosa, ganhou inúmeros prêmios de diversas instituições de prestígio ao redor do mundo e gravou mais de 70 albúns. a canção “yemaya” encontra-se no álbum la tierna, conmovedora, bamboleadora, gravado com a sonora matancera.

[/spoiler] [spoiler title=”Bahia negra (wawancó)” open=”0″ style=”1″]

como se informa  no título da canção, “bahía negra” é um wawancó (ou guaguancó), ritmo cubano que corresponde a uma das formas da rumba. composta e interpretada por javier limón, a canção conta com os destaques de bebo valdés no piano, buika na voz, javier colina no contrabaixo e piraña e pepe espinosa na percussão. faz parte do disco limón, cujas canções foram compostas e arranjadas por javier limón e que conta com a colaboração de diversos outros artistas.

[quote style=”1″]

Bahía tiene el color de tus ojos niña
tiene también tu olor lo trajo la brisa
tiene la risa fácil, como tu risa
Bahía tiene la piel negra de la noche
África duerme allí dede que era joven
y en su memoria música, que nadie la robe
África duerme
alguien romperá su silencio
cuando despierte se hará realidad sus sueño
Tiene el color de tus ojos niña…..

[/quote] [/spoiler] [spoiler title=”Las Olitas” open=”0″ style=”1″]

composto por zully murillo londoño e interpretado pelo grupo contundencia no cd catiá catiadora cantos de río y selva. esse álbum faz parte do projeto do ministério da cultura da colômbia que tem o intuito de reconhecer e dar visibilidade a musica popular do litoral pacífico. além de mostrar toda a sua riqueza musical, a proposta também é prestar uma homenagem aos compositores, cantores e artistas que mantém vivo o repertório considerado patrimônio cultural. “las olitas” está entre as canções tradicionais que exaltam as belezas naturais da região e contam sobre a vida cotidiana: as crianças que brincam, as despedidas, os encontros. a canção “las olitas” pertence ao gênero abosao-currulao, geralmente cantado em desfiles, danças, jogos e animações.

[quote style=”1″]

vamos a vé, vamos a vé
vamos a vé, como es que suben las olitas (bis)
en la playa recogiendo caracolas
los pies desnudos y bañados por las olas
los niñitos de la escuela rien, gozan
y juegan con la maestra cuando entonan
coro:vamos a vé, vamos a vé
vamos a vé, como es que suben las olitas (bis)

y me quedo mirando allá a lo lejos
donde el mar azul se junta con el cielo
y cada vez que una panguita se divisa
en mi pecho el corazón late de prisa
todos saben, nadie ignora que un enero
en un barco se marchó mi compañero
y cada vez que voy a la playa me recuerdo
de esa mar, de ese pacífico al que quiero
y me invento este pretexto esperanzada
voy a ver a la marea que sube y baja
y digo:

coro:vamos a vé, vamos a vé
vamos a vé, como es que suben las olitas (bis)
todo quien haya querido como yo
puede entender el dolor de la separación
el amor que ha sido el amor de mi vida
y el alma a decir adios no se resigna

como así, no puedo creer yo no concibo
que un día como el de hoy no estés conmigo
muy feliz un aleteo de mariposa
que despierta mis dormidos sueños color rosa
me aferro a este pretexto esperanzada
voy a ver el sube y baja de las aguas
y los niños al pasar corean mi canto
voy a ver a la marea que sube y baja y dice
coro:ay vamos, ay vamos
ay vamos, a vé (bis)
ay vamos , ay vamos , ay vamos , a vé

vamos a vé, como es que suben las olitas y dice:(bis)
vamos a vé, vamos a vévamos a vé, como es que suben las olitas

[/quote] [/spoiler] [spoiler title=”Santitos” open=”0″ style=”1″]

do álbum madre baile, de vivi pozzebon, é um afro-chamamé, que a partir da semelhança que vivi pozzebón percebeu entre o gauchito gil de corrientes e o elegua yoruba, presente em cuba e no brasil, assim como entre iemanjá e a difunta correa, combina o chamamé argentino com congas, batás e o bembé, ritmo afro-cubano.

[/spoiler]

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