hierba, de raúl perrone

*por roberta mathias

a experiência proposta por raul perrone, como o mesmo expôs ao final da exibição, é a de mesclar técnicas e percepções modernas ao contemporâneo.
o sampler utilizado na música e também nas imagens é quase como escutar perrone dizer que, se busca inspiração no cinema mudo da década de 20 (e a referência é clara durante o filme), busca também transitar por novas experimentações junto ao espectador.
é importante ressaltar o trabalho de trilha sonora que casa perfeitamente com a proposta do diretor.
“não importa que entendam meus filmes, mas que os sintam.”
a compreensão que perrone tem sobre a importância do espaço que a sala de cinema lhe oferece, no sentido de possibilidades para essas experimentações, fica clara em suas escolhas.
não ensaiar com os atores e criar sequências muito pensadas e planejadas esperando sempre pelo que o momento e o encontro tem a oferecer são marcas fortes de sua linguagem.
o filme, assim como o diretor, também tem mais a ver com o encontro do que com perguntas específicas sobre a produção ou sobre os motivos que o fizeram escolher uma ou outra sequência. é certo que esteticamente possui lindas sequências com atores que dizem muito, sem dizer uma única palavra, mas talvez não seja mesmo uma experiência fácil – como o cinema experimental não é.
um convite a pensar sobre o dito, o não dito, o moderno e o contemporâneo. até que ponto saber exatamente o que os atores dizem faz falta em um filme como esse?
produzir cinema instigante e provocador hoje em dia não é fácil. perrone mais uma vez conseguiu.

confira o trailer:

*antropóloga e fotógrafa atualmente estudando os subúrbios de grandes cidades da américa do sul.


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