inti raymi + san juan

para muitos sempre foi (e é ainda) uma celebração ancestral andina dedicada ao sol. para estes, a festa se chama ainda inti raymi. para outros, é tempo de são joão (de san juan). nesta edição, algo de música tradicional andina + trilha sonora que anima as noites de festa em alguns dos países destas latitudes. aproveite e conheça algo sobre instrumentos como o kinray, o cumaco e muitos outros.

[spoiler title=”los indios ” open=”0″ style=”1″]

de atahualpa yupanqui, pseudônimo de héctor roberto chaveiro, compositor, cantor, violonista e escritor argentino. é considerado um dos mais importantes divulgadores da música tradicional daquele país. suas composições foram cantadas por reconhecidos intérpretes, como mercedes sosa, alfredo zitarrosa, víctor jara e elis regina. filho de pai quéchua e mãe basca, o pseudônimo atahualpa yupanqui é uma homenagem a atahualpa e tupac yupanqui, os últimos governantes incas. “los índios” é um poema recitado por atahualpa e está no disco pasaban los cantores (1979).

[quote style=”1″]

américa es el largo camino de los indios.
ellos son estas cumbres y aquel valle
y esos montes callados perdidos en la niebla
y aquel maizal dorado.
y el hueco entre las piedras, y la piedra desierta.
desde todos los sitios nos están contemplando los indios.
desde todas las altas cumbres nos vigilan.
ha engordado la tierra con la carne del indio.
su sombra es centinela de la noche de América.
los cóndores conocen el silencio del indio.
y su grito quebrado duerme allá en los abismos.
dondequiera que vamos está presente el indio.
lo respiramos. Lo presentimos andando sus comarcas.
quechua, aymara, tehuelche, guarán o mocoví.
chiriguano o charrúa, chibcha, mataco o pampa.
ranquel, arauco, patacón, diaguita o calchaquí.
omahuaca, atacama, tonocotés o toba.
desde todos los sitios nos están contemplando los indios.
porque américa es eso: un largo camino de indianidad sagrada.
Entre la gran llanura, la selva y la piedra alta.
y bajo la eternidad de las constelaciones.
sí, américa es el largo camino de los indios.
y desde todos los sitios nos están contemplando.

[/quote] [/spoiler] [spoiler title=”tikiminiki ” open=”0″ style=”1″]

formado no brasil no ano de 1972 por integrantes de diversos países latino-americanos, o tarancón é um grupo brasileiro formado com a proposta de difundir a música folclórica latino-americana. o nome do grupo faz referência também ao nome de uma mina de carvão em  astúrias, espanha, que desabou ocasionando a morte de onze trabalhadores. atualmente, é formado por emilio de angeles (flautas andinas, percussão e voz), jorge miranda (baixo, charango e voz), ademar farinha (flautas andinas, viola, charango e voz), moreno overá (viola, violão, baixo e voz), lúcia nobre (zamponha, percussão e voz), jonathan andreoli (bombo leguero, bongô, caixa, cajón) e natália gularte (cajón, surdo, e efeitos percussivos). “tikiminiki” é um taquirari, ritmo tradicional andino,  e está no primeiro disco do grupo, gracias a la vida (1976).

[/spoiler] [spoiler title=”q’ara chuncho” open=”0″ style=”1″]

canção tradicional de cusco, interpretada por alejandro chávez e por miguel príncipe, presente no cd real andes series vol 1 (2006), uma antologia que demonstra a grande variedade de gêneros da música andina peruana. o cd foi produzido pelo músico miki gonzález, que se dedicou durante um tempo a pesquisar a música das comunidades andinas do peru. conheça o kinray, instrumento presente em países do altiplano andino.

[/spoiler] [spoiler title=”tinkuman ” open=”0″ style=”1″]

interpretada em língua aimará por mariana baraj, uma cantora e percussionista argentina que tem experimentado combinar as tradições musicais de seu país com  pop,  jazz e música eletrônica. “tinkuman” foi composta por luzmila carpio, cantora boliviana pertencente à comunidade quechua de potosí. confira a releitura desta canção  feita por mariana baraj  em  que se destaca a percussão e o acordeón de leonora arbiser baraj. confira aqui um vídeo no qual se apresenta a cerimônia do tinku.

[/spoiler] [spoiler title=”dos tipitos” open=”0″ style=”1″]

do baixista e compositor willy gonzález. nascido na argentina, começou a estudar jazz e rock na adolescência. fez parte das bandas de jazz monos con navaja e la banda latina, depois decidiu  explorar a tradicional música latino-americana. lançou o cd tupa, palavra quéchua que significa “reunião”, em referência aos músicos que o acompanharam nesse projeto: mario gusso (bateria  e percussão) juan d’argenton (piano e bandoneón) pepe luna (guitarra e charanga) e  fernando barragán  (instrumentos de sopro e percussão). no repertório se ouve também a reunião de ritmos andinos, chacarera,  música da costa peruana, entre outros. assista ao vídeo de “dos tipitos”.

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[spoiler title=”el gran eclipse” open=”0″ style=”1″]

composta e interpretada por hugo hidrovo, cantor e compositor equatoriano que desenvolve uma ativa trajetória artística.  iniciou na área da música ainda criança, fez parte de uma banda colegial e mais tarde formou a banda promesas  temporales, com álex alvear e héctor napolitano. com dez cds lançados, hugo hidrovo tem seu repertório nas trilhas sonoras de filmes, peças de teatro, radioteatro, além da publicação de livros. “el gran eclipse” faz parte do cd cuentos del rio colgado.

[/spoiler] [spoiler title=”homenaje  al  mundo andino” open=”0″ style=”1″]

de manongo mujica, faz parte do cd tribal. tonderos, landós, huaynos, harawis, blues e icaros de la selva fazem parte do repertório desse projeto que  privilegia a música produzida no peru.  manongo mujica, percussionista e baterista, tendo como base o jazz, também explora ritmos e instrumentos de diferentes  países do mundo.  “homenaje  al mundo andino” faz referência às culturas andinas, que têm bastante influência na música que se faz no peru.

[/spoiler] [spoiler title=”olha pro céu meu amor ” open=”0″ style=”1″]

essa canção, composta em 1951 por josé fernandes e pelo cantor, compositor e sanfoneiro luiz gonzaga, que  divulgou o baião, gênero musical bastante tocado nas festas de são joão,  por todo o brasil. gonzaga é uma referência para a história da música brasileira, além de influenciar diversos cantores, como lenine, gilberto gil, otto, alceu valença, entre outros. aqui “olha pro céu meu amor” ganha a interpretação da cantora mineira  ceumar.  confira a letra.

[quote style=”1″]

Olha pro céu meu amor
Vê como ele está lindo
Olha pra aquele balão multicor
Como no céu vai sumindo

Foi numa noite igual a esta
Que tu me deste o coração
O céu estava assim em festa
Porque era noite de São João

Havia balões no ar
Xote, baião no salão
E no terreiro, o teu olhar
Que incendiou
Meu coração

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[spoiler title=”san juanito negro” open=”0″ style=”1″]

interpretada por papa roncón e grupo katanga. guillermo ayoví erazo,  cantor e compositor, mais conhecido como papá roncón,  é  considerado representante das culturas negras do equador, por conta do trabalho realizado com o propósito de  fortalecer e divulgar os saberes  e tradições dessa população. fundou a  escola de cultura tradicional, la katanga, onde ensina crianças e jovens a tocar  marimba. além disso, tem percorrido vários países para falar sobre sua cultura. papá  roncón participou, em 2010,  na   cidade de salvador, brasil, do ii encontro afro-latino.

[/spoiler] [spoiler title=”san juan tiene congoja” open=”0″ style=”1″]

canção tradicional da festa de san juan bautista, no estado de yaracuy, na venezuela, onde se presta tributo ao santo com tambores e cantos marcados pela influência africana. seu gênero pode ser definido como um sangueo com canto de sirena, que se caracteriza por melodias com versos improvisados cantados em quartetos e “a capela”, acompanhadas pelos tambores cumacos. geralmente é executada na procissão que leva a imagem do santo pelas ruas. quem canta esta versão é sebastiana sevilla, ícone cultural do estado de yaracuy, e cantora de sirenas e sangueos. sebastiana canta juntamente com o grupo ronca cumaco, que conta com 25 integrantes, considerados os embaixadores da tradição de san juan bautista. a canção está presente no cd venezuela demo 34.

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[spoiler title=”las mañanas de san juan” open=”0″ style=”1″]

canção gravada pelo grupo de boca en boca, quarteto vocal feminino que se originou em córdoba, argentina.  esta canção tradicional venezuelana refere-se à manhã do dia 24 de junho, quando há a continuação das comemorações da festa de san juan bautista. está presente no cd que leva o mesmo nome do grupo e que foi lançado em 2001.

[/spoiler] [spoiler title=”prenda” open=”0″ style=”1″]

interpretada por vassalos del sol, é um golpe de tambor, máxima expressão da música e dança das festas de são joão venezuelanas. existe uma grande variedade de golpes de tambor ao longo da costa do país. esta versão se espelha no estilo de execução da comunidade de san millán, no estado de carabobo. vasallos del sol é um grupo  formado no ano de 1990 por músicos e dançarinos, tendo como base de trabalho cantos e danças tradicionais da venezuela, além  da destacada concepção cênica e musical.

[/spoiler] [spoiler title=”el cumaco de san juan” open=”0″ style=”1″]

canção gravada pelo artista venezuelano felipe “mandingo” rengifo. radicado na alemanha, o artista resolve criar, em 1991, o grupo experimental felipe mandingo y su famila, com o objetivo de divulgar a diversidade dos ritmos venezuelanos, mostrando a riqueza musical do país. o grupo é composto por felipe rengifo, sua esposa migdalia h. rengifo e seus filhos carolín rengifo e felipe “chichi” rengifo jr. a canção faz parte do cd venezuela demo 22. confira a letra abaixo.

[quote style=”1″]

yo soy un negrito ay…!!!
ay…!!! fino, pero muy fino
con mucha ciricuntancia
y como no tengo arrogancia,
a mí me tratan como un cochino…

guardia… no lo deje entrar !!!
guardia… porque es un ladrón !!!
guardia… téngale cuida’o !!!
guardia… es muy atacón !!!
y a ella le dicen, como él le decía:
apaga la luz mi zamba,
que ya viene el día;

y el cumaco e’la pastora, tua, tua y si señora.
y el cumaco e’san josé, tua, tua, y ya se fue.
y el cumaco de san juan, tua, tua y ya se va.

en el corral de mi casa
hay guayabitas del perú,
que cuando voy a comerlas,
me hace el estómago cu-rru cu cú…!!!

como nací muy tosta’o
a mí no me tiran nada,
pero algún día encontraré
una negrita bien formada.

guardia… no lo deje entrar…!!!
guardia… porque es un ladrón…!!!
guardia… se coje lo ajeno…!!!
guardia… es muy atacón…!!!
guardia… se toma la caña…!!!
guardia… es muy bebedor…!!!
guardia… téngale cuidado,
guardia… que pide presta’o
guardia… es un poco furtivo…!!!
guardia… cobra comisión…!!!
guardia… ténganle cuida’o
guardia… es un vividor…!!!

yo soy un negrito ay…!!!
ay…!!! fino, pero muy fino
con mucha ciricuntancia
y como no tengo arrogancia,
a mí me tratan como…
cómo…???
como un desgracia’o…!!!

[/quote] [/spoiler] [spoiler title=”a la fiesta de san juan” open=”0″ style=”1″]

canção originalmente gravada por juaneco y su combo, banda que surge na amazônia peruana e que se torna referência na cumbia deste país. a versão que ouvimos aqui é do grupo bareto, de lima. a banda, que se auto-define como latino alternativo, lançou em 2008 o cd cumbia, um álbum em homenagem ao juaneco y su combo e a outros artistas populares e onde foi incluída esta canção.  confira aqui uma apresentação ao vivo de bareto interpretando em lima “a la fiesta de san juan”

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