Poemas de Ivan Maia

Ivan Maia é doutor em educação, mestre em filosofia, poeta, ator.  Ele é o criador  do projeto de experimentação criativa Corpoema. Ivan Maia conduzirá o sarau do  latitudes no aniversário do projeto Latitudes Latinas,  que acontecerá na Coaty, ladeira da Misericórdia, localizada atrás da Prefeitura de Salvador,  a partir das 19h00. outras informações, clique aqui.

 

ENQUANTO DORMEM OS MENDIGOS

Sim! Quero amar até morrer!…
E aquela sede que havia, sorvida num só gole
Engolirá os homens e não as flores

Estranhará o deserto, dos toques no corpo
De quem disser amor sem ter no gesto a alma da palavra

Enquanto dormem os mendigos
pediremos aos céus esmolas de brilho
que façam acordar nossos sonhos
e sirvam de adeus ao medo!

Ah! Já não estou cabendo nos limites do que tenho sido…
Transbordante, prestes a derramar-me sobre as pessoas…
precisando alcançá-las… me escapam os gestos…

Há um grande desejo em mim de morrermos todos
e nascermos todos num mesmo momento!

Sairei por aí imaginando sustos, escândalos
ousadias que nenhuma sobriedade autoriza:
O corpo pronto para sangrar em palavras
reunindo amores e dores num só corpo a debater-se
explodindo em estilhaços virulentos de expressão atroz
que cada um levará para casa, pro sonho
nas entranhas de si.

 

BRASILÚDICO

A poesia entrou na brincadeira dando cambalhotas
Por sobre a linguagem sisuda dos negócios

Deu uma banana pra palhaçada sem graça dos políticos corruptos
E estirou sua língua lúdica pros acadêmicos de plantão
E seus reumáticos malabarismos conceituais

Todo dia a poesia rima a si mesma com ousadia
Assim como a criança com sua dança

Palmas para as acrobacias delirantes dos corpos amantes!
A alegria do teatro anda de pernas de pau
Muito acima de todo e qualquer baixo astral
Da violência urbana, suburbana e rural

Todas as gracinhas que soltamos na rua
Querem apenas ver nua
A boca sorridente e sem dente das velhinhas banguelas
Elas também são lindas e nós somos os gaiatos
Que dão piruetas galhofantes para animar
A liberdade estrambólica dos nossos sonhos

Reluz por toda parte o equilibrilho da arte
De festejar as felicidádivas
De nossa existência irreverente e lunática.


compartilhe!

  • Facebook
  • Twitter
  • Google Plus
  • RSS
  • PDF
  • Email