necesaria poesia

las palabras me hacen falta / me hacen falta cien millones de palabras, canta fito páez e com ele nós que vivemos e circulamos pelo mundo entre palavras. as palavras nos explicam o que nunca entenderemos… por isso a poesia. necessária poesia. remo leaño, neruda, sabina, octavio paz, willian grigsby vergara, wally salomão, são algumas das vozes que você ouve nesta edição – que é mais um convite pra viver-ouvir-sentir nossas latitudes poéticas.

 

[spoiler title=”blanco” open=”0″ style=”1″]

fragmento do poema “blanco”, do mexicano octavio paz. esta versão interpretada por marisa monte e incluída em seu cd barulhinho bom é uma transcriação feita pelo poeta e ensaísta brasileiro haroldo de campos, que o rebatizou de “transblanco.


[/spoiler] [spoiler title=”caja de música” open=”0″ style=”1″]

este é um poema de jorge luis borges musicalizado por pedro aznar, baixista e produtor argentino, com a participação de mercedes sosa nos vocais. “caja de música” faz parte do cd de mesmo nome e traz outros poemas de borges musicalizados por pedro aznar.


[quote style=”1″]

música del japón. avaramente
de la clepsidra se desprenden gotas
de lenta miel o de invisible oro
que en el tiempo repiten una trama
eterna y frágil, misteriosa y clara.
temo que cada una sea la última.
son un ayer que vuelve. ¿de qué templo,
de qué leve jardín en la montaña,
de qué vigilias ante un mar que ignoro,
de qué pudor de la melancolía,
de qué perdida y rescatada tarde,
llegan a mí, su porvenir remoto?
no lo sabré. no importa. en esa música
yo soy. yo quiero ser. yo me desangro.

[/quote] [/spoiler] [spoiler title=”nalgum lugar” open=”0″ style=”1″]

é o nome do poema escrito pelo poeta estadunidense e.e.cummings. traduzido pelo poeta brasileiro augusto de campos, esse poema foi musicalizado por zeca baleiro e faz parte do cd liricas.

[quote style=”1″]

nalgum lugar em que eu nunca estive
alegremente além
de qualquer experiência
teus olhos tem o seu silêncio
no teu gesto mais frágil
há coisas que me encerram
ou que eu não ouso tocar
porque estão demasiado perto
teu mais ligeiro olhar facilmente me descerra
embora eu tenha me fechado como dedos
nalgum lugar
me abres sempre pétala por pétala
como a primavera abre
tocando sutilmente, misteriosamente
a sua primeira rosa
sua primeira rosa
ou se quiseres me ver fechado
eu e minha vida
nos fecharemos belamente, de repente
assim como o coração desta flor imagina
a neve cuidadosamente descendo em toda a parte
nada que eu possa perceber neste universo
iguala o poder de tua intensa fragilidade
cuja textura
compele-me com a cor de seus continentes
restituindo a morte e o sempre
cada vez que respirar
não sei dizer o que há em ti que fecha e abre
só uma parte de mim compreende
que a voz dos teus olhos
é mais profunda que todas as rosas
ninguém, nem mesmo a chuva, tem mãos tão pequenas (2x)
ninguém, nem mesmo a chuva, tem mãos tão pequenas.

[/quote] [/spoiler] [spoiler title=”una palabra” open=”0″ style=”1″]

esta canção foi composta e interpretada pelo cantor e compositor cubano carlos varela. incluída na trilha sonora do filme hombre en llamas, “una palabra” faz parte do cd acústico nubes.

[quote style=”1″]

una palabra no dice nada
y al mismo tiempo lo esconde todo
igual que el viento esconde el agua
como las flores que esconden lodo

una mirada no dice nada
y al mismo tiempo lo dice todo
como la lluvia sobre tu cara
o el viejo mapa de algun tesoro

como la lluvia sobre tu cara
o el viejo mapa de algun tesoro

una verdad no dice nada
y al mismo tiempo lo esconde todo
como una hoguera que no se apaga
como una piedra que nace polvo

si un dia me faltas no sere nada
y al mismo tiempo lo sere todo
porque en tus ojos estan mis alas
y esta la orilla donde me ahogo

porque en tus ojos estan mis alas
y esta la orilla donde me ahogo

[/quote] [/spoiler] [spoiler title=”oda a la crítica” open=”0″ style=”1″]

este é um poema do chileno pablo neruda que você ouve aqui na voz do cantor, compositor e poeta espanhol joaquin Sabina. “oda a la crítica” faz parte do livro odas elementales (1954), de neruda.

[quote style=”1″]

oda a la crítica

yo escribí cinco versos:
uno verde,
otro era un pan redondo,
el tercero una casa levantándose,
el cuarto era un anillo,
el quinto verso era
corto como un relámpago
y al escribirlo
me dejó en la razón su quemadura.

y bien, los hombres,
las mujeres,
vinieron y tomaron
la sencilla materia,
brizna, viento, fulgor, barro, madera
y con tan poca cosa
construyeron paredes, pisos, sueños.
en una línea de mi poesía
secaron ropa al viento.
comieron
mis palabras,
las guardaron
junto a la cabecera,
vivieron con un verso,
con la luz que salió de mi costado.
entonces
llegó un crítico mudo
y otro lleno de lenguas,
y otros, otros llegaron
ciegos o llenos de ojos,
elegantes algunos
como claveles con zapatos rojos,
otros estrictamente
vestidos de cadáveres,
algunos partidarios
del rey y su elevada monarquía,
otros se habían
enredado en la frente
de marx y pataleaban en su barba,
otros eran ingleses,
y entre todos
se lanzaron
con dientes y cuchillos,
con diccionarios y otras armas negras,
con citas respetables,
se lanzaron
a disputar mi pobre poesía
a las sencillas gentes
que la amaban:
y la hicieron embudos,
la enrollaron,
la sujetaron con cien alfileres,
la cubrieron con polvo de esqueleto,
la llenaron de tinta,
la escupieron con suave
benignidad de gatos,
la destinaron a envolver relojes,
la protegieron y la condenaron,
le arrimaron petróleo,
le dedicaron húmedos tratados,
la cocieron con leche,
le agregaron pequeñas piedrecitas,
fueron borrándole vocales,
fueron matándole
sílabas y suspiros,
la arrugaron e hicieron
un pequeño paquete
que destinaron cuidadosamente
a sus desvanes, a sus cementerios,
luego
se retiraron uno a uno
enfurecidos hasta la locura
porque no fue bastante
popular para ellos
o impregnados de dulce menosprecio
por mi ordinaria falta de tinieblas
se retiraron
todos
y entonces,
otra vez,
junto a mi poesía
volvieron a vivir
mujeres y hombres,
de nuevo hicieron fuego,
construyeron casas,
comieron pan,
se repartieron la luz
y en el amor unieron
relámpago y anillo.
y ahora,
perdonadme, señores,
que interrumpa este cuento
que les estoy contando
y me vaya a vivir
para siempre
con la gente sencilla.

oda a la crítica

Trad.: Leonardo de Magalhães

Escrevi cinco versos: um verde,
outro era um pão redondo,
o terceiro uma casa se levantando,
o quarto era um anel
o quinto verso era
curto como um relâmpago
e ao escrevê-lo
me deixou na razão sua queimadura.

E bem, os homens, as mulheres,
vieram e tomaram
a simples matéria,
fibra, vento, fulgor, barro, madeira,
e com tão pouca coisa
construíram
paredes, pisos, sonhos.
Numa linha da minha poesia
secaram roupa ao vento.
Comeram as minhas palavras,
guardaram-nas
junto a cabeceira,
viveram com um verso,
com a luz que saiu do meu lado.

Então,
chegou um crítico mudo
e outro cheio de línguas,
e outros, outros chegaram
cegos ou cheios de olhos,
elegantes alguns
com cravo com sapatos vermelhos,
outros estritamente
vestidos de cadáveres,
alguns partidários
do rei e sua elevada monarquia,
outros haviam se
embaraçado na figura
de Marx e esperneavam na sua barba,
outros eram ingleses
simplesmente ingleses,
e entre todos se lançaram
com dentes e facas,
com dicionários e
outras armas negras,
com citações respeitáveis,
se lançaram
para disputar a minha pobre poesia
às pessoas simples
que a amavam:
e dela fizeram funis,
enrolaram-na,
prenderam-na com cem alfinetes,
cobriram-na com pó de esqueleto,
encheram-na de tinta,
nela cuspiram com suave
benignidade de gatos,
destinaram-na a envolver relógios,
protegeram-na e condenaram-na,
juntaram-lhe petróleo,
dedicaram-lhe úmidos tratados,
cozinharam-na com leite,
juntaram pequenas pedrinhas,
foram lhe apagando vogais,
foram lhe matando
sílabas e suspiros,
amassaram-na e fizeram
um pequeno pacote
que destinaram cuidadosamente
aos seus sótãos, aos seus cemitérios,
logo se retiraram um a um
enfurecidos até a loucura.
Porque não fui bastante
popular para eles
ou impregnados
de doce menosprezo
pela minha ordinária falta de trevas,
retiraram-se todos,
e então,
outra vez, junto à minha poesia
voltaram a viver
mulheres e homens,
de novo fizeram fogo,
construíram asas,
comeram pão,
repartiram entre si a luz
e no amor uniram
relâmpago e anel.
E agora, perdoai-me, senhores,
que interrompo este conto
que lhes estou narrando
e vá viver
para sempre
junto a gente simples.

[/quote] [/spoiler] [spoiler title=”antes de amarte, amor” open=”0″ style=”1″]

este é mais um poema de Pablo Neruda. aqui ganha a interpretação do cantor e compositor espanhol pedro guerra. esta versão foi incluída no cd neruda en el corazón, uma homenagem ao poeta chileno.

[quote style=”1″]

antes de amarte, amor, nada era mío:
vacilé por las calles y las cosas:
nada contaba ni tenía nombre:
el mundo era del aire que esperaba.

yo conocí salones cenicientos,
túneles habitados por la luna,
hangares crueles que se despedían,
preguntas que insistían en la arena.

todo estaba vacío, muerto y mudo,
caído, abandonado y decaído,
todo era inalienablemente ajeno,

todo era de los otros y de nadie,
hasta que tu belleza y tu pobreza
llenaron el otoño de regalos.

[/quote] [/spoiler] [spoiler title=”lo peor del amor” open=”0″ style=”1″]

aqui você escuta joaquín sabina recitando o poema lo “peor del amor”. além de suas belas e desconcertantes canções, o espanhol joaquín sabina é também um hábil desenhista, cronista e, claro, um grande poeta.  quer ouvir mais três poemas de sabina? clique aqui. confira abaixo o vídeo em que sabina lê este poema:

[quote style=”1″]

lo peor del amor cuando termina
son las habitaciones ventiladas,
el puré de reproches con sardinas,
las golondrinas muertas en la almohada.
lo malo del después son los despojos
que embalsaman al humo de los sueños,
los teléfonos que hablan con los ojos,
el sístole sin diástole sin dueño.
lo más ingrato es encalar la casa,
remendar las virtudes veniales,
condenar a la hoguera los archivos.
lo peor del amor es cuando pasa,
cuando al punto final de los finales
no le quedan dos puntos suspensivos…

[/quote] [/spoiler] [spoiler title=”como un dolor de muelas” open=”0″ style=”1″]

este poema foi  escrito pelo falecido subcomandante insurgente marcos, do exército zapatista de libertação nacional, e musicalizado por joaquín sabina. Esta canção faz parte do cd dímelo en la calle, de sabina. clique aqui e conheça a história desta canção.

[quote style=”1″]

Como un Dolor de Muelas
Como si llegaran a buen puerto mis
ansias.

Como si hubiera donde hacerse fuerte.

Como si hubiera por fin destino para mis pasos.

Como si encontrara mi verdad primera.
Como traerse al hoy cada mañana.

Como un suspiro profundo y quedo.

Como un dolor de muelas aliviado.
Como lo imposible por fin hecho,

como si alguien de veras me quisiera,

como si al fin un buen poema me
saliera…

una oración.

(**)

Como si la arena cantara en el desierto

los cantos de sirena del mar Muerto.

Como si para crecer sobraran las escaleras,

como si escribiera un ciego un libro abierto.
Ven a poblar el zócalo de ojos,

siembra de migas de pan caliente

mis canas de alcanfor adolescente.
Ponle al sordo voz y alas al cojo,

bendice nuestro arroz, nuestro minuto,

como si no fuéramos cómplices del luto…

del corazón.

[/quote] [/spoiler] [spoiler title=”no soy un hombre de acción ” open=”0″ style=”1″]

o poema que você ouve aqui na voz de seu próprio autor, o escritor, poeta e artista plástico nicaraguense william grigsby vergara. nascido em manágua, nicarágua, em 1985, william, além de destacado e premiado poeta, atua também como professor universitário e colabora com a revista envío, da universidad centroamericana (uca).

[quote style=”1″]

1

Siempre quise escribir
un poema sobre la pobreza,
sobre los pobres que me duelen,
sobre los marginados
que no deberían
vivir en la pobreza,
pero lo cierto
es que yo nunca
he vivido en la calle
y siempre he tenido todo:
un techo, un plato de comida,
un juego de ropas,
lo que sea…
He intentado,
en el peor de los casos,
ignorar la pobreza de los pobres
para no sentirla como una pobreza mía.

He intentado, de la misma manera,
refugiarme en la poesía hermética,
en la gran poesía existencial
de los hombres
que viven hacia adentro,
pero no puedo dejar de pensar
en esa gran lista anónima de la miseria
que se extiende a mi alrededor
mientras escribo estas líneas.

Vivo en un país pobre,
donde, naturalmente, los pobres son mayoría
y yo no soy parte de esa mayoría.

No obstante, me conmueve
ese niño que limpia vidrios
en un semáforo de la capital,
bajo la furia de un sol implacable
o la chica de quince años
que anda panzona,
pidiendo limosnas, diario,
junto a una anciana
que se arrima
a un poste, llena de tierra…
¿Cómo, entonces, ayudarlos
desde la poesía?

¿Cómo, entonces,
escribir sobre los pobres
si no soy un hombre de la calle?

2

Cierto. No soy un hombre de la calle, he dicho.

Cierto es que, mientras escribo esto,
estoy bajo el techo de mi casa,
en la comodidad de un hogar,
esperando por la hora de la cena.

Al darme cuenta de la impotência
que me genera esta realidad,
entonces mi miseria
se vuelve mayor,
y se vuelve doblemente miserable.

Hay algo peor, algo más triste
que también debo asumir:
mirar la pobreza diaria
y no hacer nada por cambiarla,
es otro tipo de pobreza,
quizá más cruel y más salvaje.

No hacer nada por los pobres
porque son demasiados…

No poder hacer nada por uno mismo
al no poder hacer nada por un solo pobre.

Ser el poeta que observa sin saber qué hacer.

El poeta que siente sin saber qué sentir.
El miserable que observa la miseria
y se da cuenta, finalmente,
que no puede escribir
para los que tampoco pueden leer.

[/quote] [/spoiler] [spoiler title=”las palabras” open=”0″ style=”1″]

incluída no cd moda y pueblo (2007), esta canção foi composta e interpretada pelo cantor e compositor argentino fito páez.

[/spoiler] [spoiler title=”remix século xx” open=”0″ style=”1″]

poeta, ator, produtor, letrista e agitador cultural, o baiano waly salomão foi o responsável pela publicação do único livro do também poeta torquato neto. parceiro de adriana calcanhotto, entre diversos outros nomes da música brasileira, waly salomão compôs este poema que ele batizou de “polivox” e que adriana rebatizou de “remix século xx”. a versão que você ouve aqui faz parte do cd público, de adriana calcanhotto.

[/spoiler] [spoiler title=”imagem” open=”0″ style=”1″]

composto e interpretado pelo cantor, compositor arnaldo antunes, este poema-canção faz parte do dvd nome (1993), que conta  com a colaboração de celia catunda, kiko mistrorigo e zaba moreau.

[/spoiler] [spoiler title=”um verso preso” open=”0″ style=”1″]

fundador do grupo mestre ambrosio, o rabequeiro, cantor e compositor pernambucano siba é hoje uma das grandes referências na atual cena musical brasileira. em carreira solo lançou já quatro álbuns, entre eles avante (2012), que inclui “um verso preso”, e que conta com a participação de lirinha nos vocais.

[/spoiler] [spoiler title=”silencio inicial” open=”0″ style=”1″]

poema que você ouve na voz de remo leaño, artista e ativista nascido em jujuy, noroeste argentino, em 1978, e que atualmente mora em tilcara, na quebrada de humahuaca. publicou seu primeiro livro – que combina coplas e haikais – em 2005. em 2008 criou ediciones de la tierra, editora independente através da qual vem desenvolvendo uma série de projetos que incluem poesia, música e diversos elementos relacionados ao universo da copla, forma musical-poética e ritual que você pode conhecer melhor clicando aqui.

[quote style=”1″]

silencio inicial

los pequeños estallidos de luz
se suceden.
el agua y el sol -integrándose-
llevan adelante la magia
magia sutil y total
convirtiendo en color
en substancia
en sabores que laten.
mientras los tambores
ésos cueros tensos
vienen siguiendo el latir
vienen pulsando por resurgir
y ya luego, los vientos son sonrisas
las manos hablan y nos cuentan
hay ojos en los picos de las montañas
y es la piel una pradera presta a ser acariciada.

llenos venimos por todo lo visto
somos los ojos de la historia vivida de los ancestros
nuestros deseos mas nobles
son las viejas plegarias vibrando dentro.
por nuestra sangre corre la memoria del tiempo
una memoria que intenta regresar
con su armonía entre la oscuridad
y su luz, sabia viajera del tiempo,
se sabe parte, complemento y unidad
con aquello poco feliz;
sin embargo abre sus alas una y otra vez
invitándonos al abrazo sanador
arrimando una visión en donde el vuelo libre y liviano
es el retorno esperado al vientre materno del universo.

hijas, hijos somos
parte piedra, parte agua
hechos de mineral y viento
fuego eterno en semillas que renacen

cantando estamos recordando
cantando encontramos el latir de la madre tierra
cantando recordamos el silencio inicial.

[/quote] [/spoiler] [spoiler title=”gozar hasta que me ausente” open=”0″ style=”1″]

composta por paloma kipes e rafael d´andrea, da banda paloma del cerro, a partir de coplas do composta poeta remo leaño. esta canção, que é um delicioso canto à vida, faz parte do primeiro e belo cd de paloma del cerro (2011).

[/spoiler] [spoiler title=”ultimatum” open=”0″ style=”1″]

a cantora maria bethânia é uma das responsáveis pela divulgação no brasil de poetas das mais diversas latitudes, entre eles o português fernando pessoa, e em particular seu heterônimo álvaro de campos, que escreveu em 1917 o poema “ultimatum”.

[quote style=”1″]

mandado de despejo aos mandarins do mundo
fora tu reles esnobe plebeu
e fora tu, imperialista das sucatas
charlatão da sinceridade e tu, da juba socialista, e tu qualquer outro.
ultimatum a todos eles e a todos que sejam como eles todos.
monte de tijolos com pretensões a casa
inútil luxo, megalomania triunfante
e tu brasil, blague de pedro álvares cabral que nem te queria descobrir.
ultimatum a vós que confundis o humano com o popular
que confundis tudo!
vós anarquistas deveras sinceros
socialistas a invocar a sua qualidade de trabalhadores para quererem deixar de trabalhar.
sim, todos vos que representais o mundo, homens altos passai por baixo do meu desprezo
passai, aristocratas de tanga de ouro,
passai frouxos
passai radicais do pouco!
quem acredita neles?
mandem tudo isso para casa, descascar batatas simbólicas
fechem-me isso a chave e deitem a chave fora.
sufoco de ter só isso a minha volta.
deixem-me respirar!
abram todas as janelas
abram mais janelas do que todas as janelas que há no mundo.
nenhuma ideia grande, nenhuma corrente política que soe a uma ideia grão!
e o mundo quer a inteligência nova
o mundo tem sede de que se crie
o que aí está a apodrecer a vida, quando muito, é estrume para o futuro.
o que aí está não pode durar porque não é nada.
eu, da raça dos navegadores, afirmo que não pode durar!
eu, da raça dos descobridores, desprezo o que seja menos que descobrir o mundo novo.
proclamo isso bem alto, braços erguidos, fitando o atlântico
e saudando abstratamente o infinito.

[/quote] [/spoiler] [spoiler title=”navegación” open=”0″ style=”1″]

poema escrito pela uruguaia cristina peri rossi e musicalizado pela cantora e compositora também uruguaia rossana taddei, que lançou em 2009 o cd sic transit, no qual interpreta versões musicalizadas de poemas de diversxs autorxs uruguaixs, entre elxs alfonsina storni, fernán silva valdés, maria eugenia vaz ferreira e outrxs.

[quote style=”1″]

en las mansas corrientes de tus manos
y en tus manos que son tormenta
en la nave divagante de tus ojos
que tienen rumbo seguro
en la redondez de tu vientre
como una esfera perpetuamente inacabada
en la morosidad de tus palabras
veloces como fieras fugitivas
en la suavidad de tu piel
ardiendo en ciudades incendiadas
en el lunar único de tu brazo
anclé la nave.
navegaríamos,
si el tiempo hubiera sido favorable.

[/quote] [/spoiler] [spoiler title=”o navio negreiro (fragmento)” open=”0″ style=”1″]

este é  um dos mais conhecidos e contundentes poemas escritos pelo baiano antonio castro alves e musicalizado por caetano veloso em seu cd livro (1997). leia o poema aqui.

[quote style=”1″]

‘stamos em pleno mar
era um sonho dantesco… o tombadilho,
que das luzernas avermelha o brilho,
em sangue a se banhar.
tinir de ferros… estalar do açoite…
legiões de homens negros como a noite,
horrendos a dançar…
negras mulheres, suspendendo às tetas
magras crianças, cujas bocas pretas
rega o sangue das mães:
outras, moças… mas nuas, espantadas,
no turbilhão de espectros arrastadas,
em ânsia e mágoa vãs.
e ri-se a orquestra, irônica, estridente…
e da ronda fantástica a serpente
faz doudas espirais…
se o velho arqueja… se no chão resvala,
ouvem-se gritos… o chicote estala.
e voam mais e mais…
presa dos elos de uma só cadeia,
a multidão faminta cambaleia
e chora e dança ali!
um de raiva delira, outro enlouquece…
outro, que de martírios embrutece,
cantando, geme e ri!
no entanto o capitão manda a manobra
e após, fitando o céu que se desdobra
tão puro sobre o mar,
diz do fumo entre os densos nevoeiros:
“vibrai rijo o chicote, marinheiros!
fazei-os mais dançar!…”
e ri-se a orquestra irônica, estridente…
e da ronda fantástica a serpente
faz doudas espirais!
qual num sonho dantesco as sombras voam…
gritos, ais, maldições, preces ressoam!
e ri-se satanaz!…
senhor deus dos desgraçados!
dizei-me vós, senhor deus!
se é loucura… se é verdade
tanto horror perante os céus…
ó mar, por que não apagas
co’a esponja de tuas vagas
de teu manto este borrão?…
astros! noite! tempestades!
rolai das imensidades!
varrei os mares, tufão!…
quem são estes desgraçados
que não encontram em vós
mais que o rir calmo da turba
que excita a fúria do algoz?
quem são?… se a estrela se cala,
se a vaga à pressa resvala
como um cúmplice fugaz,
perante a noite confusa…
dize-o tu, severa musa,
musa libérrima, audaz!
são os filhos do deserto
onde a terra esposa a luz.
onde voa em campo aberto
a tribo dos homens nus…
são os guerreiros ousados,
que com os tigres mosqueados
combatem na solidão…
homens simples, fortes, bravos…
hoje míseros escravos
sem ar, sem luz, sem razão…
são mulheres desgraçadas
como agar o foi também,
que sedentas, alquebradas,
de longe… bem longe vêm…
trazendo com tíbios passos
filhos e algemas nos braços,
n’alma lágrimas e fel.
como agar sofrendo tanto
que nem o leite do pranto
têm que dar para ismael…
lá nas areias infindas,
das palmeiras no país,
nasceram crianças lindas,
viveram moças gentis…
passa um dia a caravana
quando a virgem na cabana
cisma das noites nos véus…
…adeus! ó choça do monte!…
…adeus! palmeiras da fonte!…
…adeus! amores… adeus!…
senhor deus dos desgraçados!
dizei-me vós, senhor deus!
se eu deliro… ou se é verdade
tanto horror perante os céus…
ó mar, por que não apagas
co’a esponja de tuas vagas
de teu manto este borrão?
astros! noite! tempestades!
rolai das imensidades!
varrei os mares, tufão!…
e existe um povo que a bandeira empresta
p’ra cobrir tanta infâmia e cobardia!…
e deixa-a transformar-se nessa festa
em manto impuro de bacante fria!…
meu deus! meu deus! mas que bandeira é esta,
que impudente na gávea tripudia?!…
silêncio!… musa! chora, chora tanto
que o pavilhão se lave no seu pranto…
auriverde pendão de minha terra,
que a brisa do brasil beija e balança,
estandarte que a luz do sol encerra,
e as promessas divinas da esperança…
tu, que da liberdade após a guerra,
foste hasteado dos heróis na lança,
antes te houvessem roto na batalha,
que servires a um povo de mortalha!…
fatalidade atroz que a mente esmaga!
extingue nesta hora o brigue imundo
o trilho que colombo abriu na vaga,
como um íris no pélago profundo!…
…mas é infâmia demais…
da etérea plaga
levantai-vos, heróis do novo mundo…
andrada! arranca este pendão dos ares!
colombo! fecha a porta de teus mares!

[/quote] [/spoiler] [spoiler title=”una canción en el magdalena” open=”0″ style=”1″]

conta-se que numa viagem pelo rio magdalena,  colômbia, o poeta cubano nicolás guillén compôs este poema que foi incluído no livro el son entero (1947) e que você ouviu aqui numa versão feita pelos colombianos da ale kumá, que, por sua vez, contam com o auxilio luxuoso da cantora martina camargo nos vocais.

[quote style=”1″]

Sobre el duro Magdalena,

largo proyecto de mar,
islas de pluma y arena
graznan a la luz solar.
Y el boga, boga.

El boga, boga,
preso en su aguda piragua,
y el remo, rema : interroga
al agua.
Y el boga, boga.

Verde negro y verde verde,
la selva elástica y densa,
ondula, sueña, se pierde,
camina y piensa.
Y el boga, boga.

Puertos
de oscuros brazos abiertos§
Niños de vientre abultado
y ojos despiertos.
Hambre. Petróleo. Ganado…
Y el boga, boga.

Va la gaviota esquemática,
con ala breve sintética,
volando apática…
Blanca, la garza esquelética.
Y el boga, boga.

Sol de aceite. Un mico duda
si saluda o no saluda
desde su palo, en la alta
mata donde chilla y salta
y suda…
Y el boga, boga.

Ay, qué lejos Barranquilla !
Vela el caimán a la orilla
del agua, la boca abierta.
Desde el pez la escama brilla.
pasa una vaca amarilla
muerta.
Y el baga, boga.

El boga, boga,
sentado,
boga.
El boga, boga,
callado,
boga.
El boga, boga,
cansado,
boga…
El boga, boga,
preso en su aguda piragua,
y el remo, rema : interroga
al agua.

[/quote] [/spoiler] [spoiler title=”confianzas” open=”0″ style=”1″]

poema escrito pelo argentino juan gelman, um dos mais importantes e combativos poetas latino-americanos, “confianzas” ganhou esta versão feita pelo pessoal do gotan project, que contam aqui com a participação especial da atriz argentina cecilia roth nos vocais.

[quote style=”1″]

se sienta a la mesa y escribe
“con este poema no tomarás el poder” dice
“ni con miles de versos harás la revolución” dice
y más: esos versos no han de servirles para
que peones maestros hacheros vivan mejor
coman mejor o él mismo viva mejor
ni para enamorar a una le servirán
no ganará plata con ellos
no tendrá cine gratis con ellos
no le darán ropa por ellos
no conseguirá tabaco o vino por ellos
ni papagayos ni bufandas ni barcos
ni toros ni paraguas conseguirá por ellos
si por ellos fuera la lluvia no mojará
no alcanzará perdón o gracia por ellos
“con este poema no tomarás el poder” dice
“con estos versos no harás la revolución” dice
se sienta a la mesa y escribe

[/quote] [/spoiler]

 


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