nosotras somos – ubuntu boliviano

idealizado pela cantora e compositora boliviana sibah, o movimento nosotras somos tem o objetivo de promover o intercâmbio de experiências entre cantoras e compositoras destas latitudes. “este é um é um movimento de hermanas – compositoras e interpretes – que, ao longo destes últimos anos, busca promover iniciativas coletivas, compartilhadas. confira a seguir, trechos da conversa que tivemos com ela em la paz, bolívia.


“queremos ter a força para crescer e convidar qualquer mulher compositora que goste da ideia e que nos contate”. (sibah)

nosotras somos é inspirado  na filosofia africana ubuntu, pertencente a cultura xhosa, localizada ao sul da áfrica e em países próximos. ubuntu  significa “eu sou, porque nós somos”. sibah conta que acredita que seu país precisa de iniciativas como esta, mais compartilhadas. e é este sentindo que ela pretende resgatar a partir do ubuntu. segundo ela, um antropólogo conta que propôs a um grupo de crianças sul africanas um jogo no qual elas deveriam ir correndo até uma cesta de frutas.  o primeiro que chegasse ganharia o jogo. no entanto, observou que neste momento as crianças seguraram as mãos umas das outras e correram juntas para conquistar o prêmio e desfrutá-lo. ao indagar o porque elas tinham agido daquele modo, as crianças responderam: “ubuntu”. isto é, compartilhar, é  a felicidade, é encontrar-se através do outro. afinal “para que desfrutar de um prêmio sozinho se podemos fazer isso juntos?” disseram as crianças.

“no caminho, fui conhecendo muitas autoras, compositoras que no inicio nem tinha ideia de que existiam. a cena musical aqui na bolivia era mais masculina. geralmente aqui na bolívia, as mulheres ou estavam nos coros ou estavam de forma secundária numa banda, mas não necessariamente liderando uma proposta artística. eu creio que cada vez mais isso está mudando, não só reposicionado, mas também equilibrando-se de alguma maneira. não se pretende que seja um movimento feminista, a ideia é que cantemos para todos, homens mulheres crianças. e começar a fazer um trabalho de valorização do que está sendo produzido em nosso país.

nos encontros promovidos pelo nosotras somos cada artista convidada interpreta uma composição de uma de suas colegas, além de uma composição própria.

interpretar canções de outras artistas e ouvir suas canções sendo interpretadas por outras colegas é muitas vezes um desafio. “por um lado, temos que fazer música onde não nos sentimos cômodas. ou seja, quando não é nosso estilo ou o gênero com o qual trabalhamos musicalmente. mas este é também é uma contribuição valiosa porque no momento em que uma pessoa canta uma canção por outra, põe uma intenção muito diferente. é colocar uma intenção própria em uma canção que não é sua. é um trabalho distinto que vai diversificando as sonoridades. ter outra pessoa interpretando sua canção é algo muito especial”.

sibah faz também um trabalho de curadoria: pesquisa e seleciona pessoas que desejem participar  do movimento. até o momento, realizaram já seis edições desse show coletivo. e deles participaram artistas de la paz, cochabamba e santa cruz de la sierra. embora os recursos sejam limitados, a ideia é levar o movimento a todo o país, e poder contar também com artistas de outros países destas latitudes, diz.

sibah conta ainda que no processo de curadoria, as decisões são tomadas a partir de pesquisas que ela faz em meio à cena musical boliviana, bem como a partir da sugestão de músicos e das outras companheiras do movimento… “um vai ligando a outro e finalmente chega onde tem que chegar” nos conta. afirma também que seria ótimo ter um movimento  internacional, pois a intenção é fluir, intercambiar para que se possam armar redes não só de contato, mas também de sonoridades diversas para que assim haja ajuda para trilhar juntas os caminhos… “queremos ter a força para crescer e convidar qualquer mulher compositora que goste da ideia e que nos contate”.

em seus 4 anos de existência, o nosotras somos também contempla um espaço de formação, onde há produções e experiências conjuntas. um exemplo disto são os mini concertos de homenagens nos quais realizam apresentações especiais dedicadas a artistas bolivianos. “no primeiro ano fizemos a homenagem ao compositor boliviano hecho durán, que tem uma história muito emocionante, pois era pai de uma das impulsoras movimento, gabriela duran”. a homenagem é feita a partir da escolha de duas músicas do artista. de acordo com sibah, a ideia da homenagem surgiu porque, além de ter sido a primeira pessoa que soube sobre o movimento, foi gabriela foi quem impulsionou esta realidade. e quando estavam na segunda edição, o pai faleceu. “tínhamos inicialmente a ideia de não incluir nada que não fosse próprio das compositoras, mas fizemos este parêntese para homenageá-lo.

o nosotras somos fez também uma homenagem a matilde casa zola, uma poeta e compositora de chuquisaca; e para 2016 preparam um especial a gilberto rojas, que completaria 100 anos neste ano.

com relação à escolha das canções a serem cantadas, sibah diz que isso pode ocorrer de maneiras variadas, mas há um requisito recente: “pedimos que cada cantora nos envie pelo menos 3 ou 4 canções e nós fazemos a combinação de acordo com o que poderia ser mais interessante em termos de intercâmbios.” inicialmente, todas têm a oportunidade de mostrar e dizer quais são as canções que mais lhes interessam interpretar. “a primeira vez você pode não gostar [da versão que fizeram para sua canção], mas depois acaba gostando; e às vezes, você canta aquilo que não lhe agrada tanto. essa proposta dá valor ao que você  (enquanto artista) faz, e permite que se vá escutando diferentes propostas cada vez mais.” e ressalta: “isto é importante também para o público, que é muito diverso”.

sobre a da banda base que acompanha os shows, sibah conta que foi difícil achar instrumentistas mulheres e que por isso o movimento é aberto para homens também. “está aberto a todas as pessoas.  não nos limitamos dizendo que tem que ser para mulheres apenas; se não, seria uma contradição do ubuntu. tem que ser para todos”.

la paz, agosto de 2016

transcrição da entrevista feita por alana barbosa e ariadne araújo

saiba mais na página do facebook nosotras somos ou baixe em pdf o arquivo desta entrevista.

foto de lucía méndez

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ubuntu/nosotras

ubuntu en la cultura africana xhosa, significa ¨yo soy porque nosotros somos¨ se describe también como …mi felicidad se complementa con la tuya… el ubuntu habla de un enlace universal, de que compartir conecta a toda la humanidad y a través de la música nada más evidente y natural. éste concepto toca y se enlaza magnéticamente con la necesidad de compartir más entre los músicos de nuestro país.

desde éste amplio concepto se trata de entregar y devolver, de compartir, de disfrutar juntos entre cantantes y público a través de elegir temas de compositoras bolivianas dentro de lo que se podría denominar música popular, en su amplio sentido. se trata de revalorizar las composiciones propias en una reapropiación y a través de versiones que cada intérprete hace cada año.
nosotras somos es un movimiento por el cual ya pasaron y son parte alrededor de 25 cantantes. nosotras somos surge desde la voz de mujeres cantantes, que protagonizan ésta reapropiación y revalorización. éste movimiento sirve además para compartir el placer de hacer música a través de la magia de la música en sí misma, que al realizarlo de forma conjunta, compartida, solidaria, distendida han logrado una gran expansión del concepto que es en sí el motor de hacer algo más allá de nuestra individualidad y de conocernos entre cantantes y compositoras y valorar la producción entre colegas.

participación de cantantes en nosotras somos por años

el 2012 se dio inicio con el 1er nosotras somos, concierto realizado en el club espejo junto a carla casanovas, pamela cabrera, gabriela durán, bernarda villagomez y sibah.

el 2013, se realizó el concierto en el espacio simón i. patiño, donde participaron las cantantes julie marin, voz abierta (quinteto conformado por: maría teresa dal pero, julia peredo, mariana requena, mercedes campos y sibah), bernarda villagomez, gabriela durán, sibah y alejandra pauletti (pianista).

el 2014 se contó con la participación de: nina uma, vero pérez, julie marin, teresa morales, montserrat arce, anís (de cochambamba), gabriela durán y sibah. el concierto se realizó en el espacio simón i. patiño.
para el 2015 participaron las siguientes cantantes: cristina fajardo, laura ede, marisol díaz, montserrat arce, nina uma, sibah y vero pérez. el concierto se realizó en el cine teatro municipal, 6 de agosto.

en el 2016 ya se realizó la quinta versión en junio junto a alejandra lanza (cochabamba), carla maría vaca díez (santa cruz), claudia campuzano (la paz), imilla (la paz), pamela sotelo (la paz), la niña lucía soriano (la paz) y sibah (la paz). en octubre participaron: de santa cruz: carla maría vaca díez y de la paz: imilla, pamela sotelo, sibah y las niñas: lucía soriano y sabrina anda. ambos conciertos de la paz, se realizaron en el cine teatro municipal 6 de agosto.


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