ocho de marzo: no me digas “feliz dia”

oito de março, dizem, é o dia da mulher. “uma em cada três mulheres da união europeia foi vítima de violência física ou sexual”, informa uma reportagem que você pode ler aqui. celebrar o que, afinal? nesta edição a gente destaca vozes femininas que criam, lutam, dizem, cantam. vozes que celebram a arte, a luz, o respeito, a vida. e que compartilham notícias e iniciativas como esta da ginecologia natural e do copo menstrual, por exemplo.

confira as canções e os artistas desta edição

no primeiro bloco do programa destacamos o trabalho da alternatina, que é uma banda composta apenas por mulheres que tem o intuito de difundir os diversos sons e ritmos da América latina,resgatando também as influencias africanas no continente, com um repertório que abarca diversas temáticas. Lançou seu primeiro álbum, o fecunda, em junho de 2011, que contou com o apoio do Fondo de la Música (CNCA) e consta de 15 canções, 14 inéditas. suas integrantes são: Macarena Bastías, Mitzi Castañeda, Karen Gómez,  Eileen Karmy, Jocabet Pereira e Evelyn Vilches. Confira as canções que selecionamos pra você!

[spoiler title=”ay, tierra morena” open=”0″ style=”1″]

a canção é um landó,  ritmo afroperuano. o gênero é marcado pela influencia das músicas angolanas e tem como base a guitarra criolla e o  cajón peruano, instrumento percussivo que é constituído por uma caixa de madeira. a canção também pode ser considerada um “festejo”, ritmo igualmente representativo da mistura de sons da áfrica e peru, e caracterizado pela dança sensual e letras que tem sempre um tema festivo (daí o nome). Confira mais informações sobre estes ritmos afro-peruanos aqui.

[/spoiler] [spoiler title=”chacarera de la tierra” open=”0″ style=”1″]

a canção é uma  chacarera, ritmo originário da argentina, geralmente acompanhado pelo violão, violino, acordeon e bombo leguero – este um dos principais instrumentos da percussão argentina. a sua dança, de passos ágeis, é realizada livremente pelos pares.

[/spoiler] [spoiler title=”de tierra fértil” open=”0″ style=”1″]

o bullerengue, ritmo desta canção, é um gênero musical presente na colômbia e no caribe, com fortes influencias da música afro. é cantado por uma voz feminina sempre acompanhada por palmas e pelo coro de mulheres. ainda estão presentes o toque dos tambores yamaró, quitambre, bombo. conheça mais sobre esse ritmo aqui.

[/spoiler] [spoiler title=”tengo ganas de bailarme” open=”0″ style=”1″]

esta canção é uma cueca, ritmo tradicionalmente chileno, mas que também pode ser encontrado na argentina, colômbia, bolívia e peru. a cueca é cantada e dançada, e sua dança tem como marca o galanteio entre casais.  Originário do campo, quando o ritmo migrou para as grandes cidades ficou conhecido como cueca urbana, bravo ou chilenera. o ritmo é considerado um ícone da cultura chilena. Conheça mais sobre o gênero aqui.

[/spoiler] [spoiler title=”segredo dos pretos ” open=”0″ style=”1″]

nesta canção a banda alterlatina explora o samba, ritmo que também tem forte influencia africana e que é bem conhecido entre os brasileiros. a canção segue ao som de palmas e instrumentos típicos do gênero, como o pandeiro. no final da canção, ouve-se o pequeno trecho da tumba, jogo carnavalesco e musical típico do chile.

[/spoiler] [spoiler title=”a la molina no voy más” open=”0″ style=”1″]

“a la molina no voy más” é uma canção popular peruana, um lamento que faz menção à época da escravidão no distrito de la molina. a alterlatina grava esta canção tradicional com arranjos próprios, incrementando a canção com samba ilê e o songo, que é um ritmo afro-cubano percussivo. confira a letra da canção.

[quote style=”1″]

a la molina no voy más
yuca de san borja
samorengue sa
para ir a saña
¡ay! qué rico está.
a la molina no voy más
porque echan azote’ sin cesar.
la comai’ tomasa
y el compai’ pascual
tuvieron treinta hijos
jesu’ que barbaridad,
que fueron esclavos
sin su voluntad,
por temor que’l amo
los fuera a azota’.
anda, borriquito, anda,
qué demonio de borrico
que no quiere camina’
por culpa de’ste borrico
el patrón me va a azota’
y sufrieron tanto
los pobres negritos
con el poco come’
y el mucho trabaja’
hasta que del cielo
vino pa’ toítos
don ramón castilla
santa libertad.

[/quote] [/spoiler] [spoiler title=”el peine” open=”0″ style=”1″]

romance interpretado pelo grupo cantos de la selva e incluído no álbum catiá catiadora cantos de río y selva, uma coletânea de textos e canções produzida pela asociación para las investigaciones culturales del chocó (asinch) e pelo ministério de cultura da colômbia. “el peine,” interpretado pelo grupo la contundência, conta a história de uma conversa entre a virgen del carmen e uma fiel, “feligrés”, que lhe pede um pente (peine) emprestado e faz parte de uma tradição poética e musical recorrente em diversas comunidades destas latitudes.

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na segunda parte do programa você confere uma seleção de canções interpretadas por projetos similares a Alterlatina (coletivos de mulheres).

[spoiler title=”no te pares a mi lado” open=”0″ style=”1″]

de abrelatas, um duo boliviano formado em 2007 em la paz, na bolívia, por adriana aramayo e canela palácios. com a proposta de aproximação de canções populares com composições e interpretações autorais, utilizam sonoridades através de trabalho vocal e acompanhamento de guitarras e objetos sonoros. “no te pares a mi lado” está no disco desordenadas, guerreras, lagartas, ateas, apátridas, desheredadas y encima subdesarrolladas, inestables, antiseguras, impropias, lançado em 2008.

[/spoiler] [spoiler title=”curandera curando” open=”0″ style=”1″]

do disco gozar hasta que me ausente, de paloma del cerro. a canção é um drum and bass andino que tem letra de remo leaño e da rapper argentina miss bolívia, que aqui divide os vocais com paloma kippes, vocalista do paloma del cerro. esta é mais uma bem sucedida mistura entre saberes musicais e culturais ancestrais e as sonoridades urbanas contemporâneas.  paloma kippes é uma compositora e intérprete argentina. com influência do canto de povos ancestrais do altiplano argentino, gravou o primeiro disco gozar hasta que me ausente (2011) com temas que vão do épico ao introspectivo, utilizando-se de sons da natureza, percussões, kalimbas e programações eletrônicas. “curandera curando”  é uma canção que proclama o poder da pachamama, o som da natureza e a cura do corpo e da alma.

[quote style=”1″]

me darán las plantas todas sus aromas sus colores
renacer y sembrar vida cuando los cuerpos transpiran
ay! curandera curando, curandera, curando
si parimos con placer si nos amamos sin dolores
nos sanamos con amarnos al mirarnos en el alma
ay! curandera curando, curandera, curando

ya puedo sentir el poder natural de tu calor,
desde el interior yo me estoy abriendo
quiero que toda la potencia de mi madre tierra
me pegue fuerte, me pegue adentro
curame para que te de vida siempre,
vamos rompiendo la cadena de la mente
la pachamama lo siente, dale hasta abajo curandera presente
tengo el canal abierto, estoy ardiente,
tengo la sangre que me hierve bien caliente
es la combinación tan excelente
la de miss bolivia con paloma se encienden

[/quote] [/spoiler] [spoiler title=”canção kayapó” open=”0″ style=”1″]

de mawaca, grupo  brasileiro formado por sete cantoras e seis músicos que pesquisa e recria músicas das mais diversificadas partes do globo. é formado por um grupo vocal que interpreta canções em mais de quinze línguas. as cantoras são acompanhadas por um grupo instrumental acústico que utiliza instrumentos como tablas indianas, derbak árabe, djembé africano, berimbau e outros. “canção kayapó” faz parte do cd e dvd rupestres sonoros (2009), que apresenta arranjos sobre canções dos índios suruí, kayapó, wari e kaxinawá.

[/spoiler] [spoiler title=”el guayabón” open=”0″ style=”1″]

canção do disco en viaje, lançado em pelo trio mexicano muna zul.  integrado por sandra cuevas, dora juárez e leika mochán, o muna zul se destaca pela sonoridade que produz usando somente recursos vocais e o corpo. este estilo musical explora novas  possibilidade sonoras ao imitar ruídos e instrumentos com o uso da voz. confira o vídeo.

[/spoiler] [spoiler title=”danza de kwenyii” open=”0″ style=”1″]

canção interpretada pelo quarteto vocal  argentino de boca en boca. marcela benedetti, soledad escudero , viviana pozzebón  e alejandra tortosa  atuavam como cantoras de jazz, rock e canto coral na academia. depois, tornaram-se amigas e decidiram criar o grupo de boca em boca. o repertório composto por ritmos de diferentes países e cantado em diferentes línguas  nortearam o trabalho do grupo; então, em 2001, lançaram o cd música de mundos. as canções  escolhidas retratam os  modos de vida da cultura popular de diferentes países. “danza de kwenyii” é uma canção originalmente gravada em francês, em 1977, por membros da tribo wapa, nova caledónia, oceania.

[/spoiler] [spoiler title=”araúna” open=”0″ style=”1″]

da comadre florzinha, que foi uma banda oriunda do recife, brasil, também formada em sua maioria por mulheres. karina buhr, mairah rocha, flávia maia,  letícia coura e marcelo monteiro estiveram a frente da comadre florzinha, tendo como base de trabalho a percussão e a voz. os ritmos nordestinos, como côco, maracatu, baião e ciranda se combinavam a influências variadas. o primeiro disco da banda  trazia canções populares e clássicos do domínio público, que ganharam novos arranjos.

[quote style=”1″]

Menina me dá essa lima, araúna
Da limeira do teu pai
Mas a limeira não é minha, araúna
Mas lima sempre vai..

Eu tenho meu vestido de seda, araúna
[Foi moreno quem deu]

Arrasta o pé pra trás, xotinho
[Essa araúna não faz como eu]

Meu cavalo come milho, araúna
Tá vexado? Come arroz
Mas a renego do cavalo, arauna
Que não pode com nóis dois

Eu tenho meu vestido de seda, araúna
[Foi moreno quem deu]

Arrasta o pé pra trás, xotinho
[Essa araúna não faz como eu]

Os cabelo do meu bem, araúna
Só faz cacho quando quer
Mas quem tiver inveja dele, araúna
Faça cacho de papel!

Eu tenho meu vestido de seda, araúna
[Foi moreno quem deu]

Arrasta o pé pra trás, xotinho
[Essa araúna não faz como eu]

Em cima daquela serra, araúna
Corre agua sem chover
Mas bem assim tá bem meu benzinho, araúna
Com vontade de me ver

Eu tenho meu vestido de seda, araúna
[Foi moreno quem deu]

Arrasta o pé pra trás, xotinho
[Essa araúna não faz como eu]

Quem me dera dera dera, araúna
Um lindo botão de rosa
Para tirar o meu benzinho arauna
Dos olhos das invejosas

Eu tenho meu vestido de seda, araúna
[Foi moreno quem deu]

Arrasta o pé pra trás, xotinho
[Essa araúna não faz como eu] [/quote] [/spoiler] [spoiler title=”la parranda” open=”0″ style=”1″]

da banda argentina  las taradas, faz parte do cd  son y se hacen.  las taradas surge em 2010 quando luisa malatesta e lucia de paco decidiram materializar a ideia de formar uma banda composta por mulheres com o objetivo de relembrar clássicos do final dos anos 30 e início dos anos 60. las taradas transitam por diversos gêneros musicais, mas o interesse  maior é recordar  uma época através de um estilo próprio, segundo elas “somos una orquestina de señoritas, hacemos canciones antiguas interpretadas hoy”.

[/spoiler] [spoiler title=”furia” open=”0″ style=”1″]

esta canção que fala sobre a violência contra a mulher faz referência ao projeto tamboreras, que é conduzido por  lili zavala e vivi pozzebón, percussionistas que residem em córdoba/argentina e estolcomo/suécia. o objetivo do projeto é contribuir para melhorar a situação profissional das mulheres que atuam no campo da música, especificamente, as mulheres percussionistas. dentre as ações realizadas no projeto, existe o intuito de criar um rede mulheres percussionistas em diferentes países para trocar informações, experiências e fortalecer  o trabalho das mulheres a nível global. conheça mais sobre o projeto tamboreras aqui. e confira o vídeo da interpretação de “furia” no festival latitudes latinas.

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