sopapo, o grande tambor

a tarde de bate-papo musicado do i festival latitudes latinas, no dia 9 de novembro, em salvador, bahia, brasil, foi dedicada ao tambor de sopapo ou sopapo, como é conhecido em pelotas, no rio grande do sul, brasil.

o sopapo é um instrumento pouco conhecido. o filme o grande tambor, do coletivo de comunicação catarse, exibido antes da mesa-redonda os tambores negros no rio da prata, traz a biografia desse instrumento de, aproximadamente, 1 metro de altura e 60 cm de diâmetro, feito de compensado e couro de cavalo.

richard serraria, músico dedicado a criar e recriar afropercussividades pelos territórios da prata, fez recentemente o cd pampa esquema novo, no qual o som do sopapo ressona inconfundível. serraria esteve no festival latitudes latinas com lucas kinoshita para compartilhar essa história, que está bem viva neles assim como em tudo que criam.

compartilharam, sobretudo, a sonoridade grave, longa e lenta desse tambor. tanto nas oficinas quanto na jam session realizada no largo pedro archanjo, pelourinho.

kinoshita, que aparenta ser um jovem japonês, exalta a sua identificação com os sons afropercussivos. apresentado ao tambor de sopapo por serraria, ele se apaixonou completamente e tomou para si o desafio de fazer o sopapo soar por muito tempo ainda.

“retomar a história do sopapo é reivindicar o reconhecimento da presença dos negros na formação da identidade gaúcha”, diz serraria. como parte das iniciativas importantes desses ativistas está o festival de música cabobu.

giba-giba, tocador e produtor cultural dedicado a manter viva a história do sopapo, foi um dos principais realizadores do cabobu entre os anos de 1999 e 2001, na cidade de pelotas. na ocasião o mestre baptista, liderou a confecção de 40 tambores que foram distribuídos gratuitamente entre músicos e instituições.

o estudo etnográfico realizado por mario de sousa maia na ocasião do seu doutoramento apresenta com grande riqueza de detalhes essa história. o documento está disponível na íntegra.

esse bate-papo musicado terminou com o ensaio aberto das oficinas. e, mais tambores se juntaram ao sopapo para celebrar o encerramento da programação do festival. tem fotos aqui.

o filme:

ao contar a história do tambor, o filme realizado em parceria com o programa nacional do patrimônio imaterial, do instituto histórico e artístico nacional (iphan), provoca uma discussão importante sobre a identidade brasileira e a gaúcha, com especial enfoque na participação dos negros.

os primeiros registros associam o tambor a rituais de festa e purificação das comunidades negras que trabalhavam nas charqueadas, salgando as carnes, nos séculos xviii e xix. por volta dos anos 50, o tambor retoma seu caminho, dessa vez nos festejos de carnaval em pelotas, rs, quando surgiram as primeiras escolas de samba no estado.

texto de scheilla gumes | mais fotos de raiane vasconcelos

assista o documentário na íntegra:

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