poemas de diferentes autores e temáticas

em 21 de março celebra-se o dia internacional da poesia.  a palavra poesia tem origem no grego e quer dizer ação de fazer algo. nesta semana o latitudes poéticas apresenta uma seleção de poemas de diferentes temáticas e autores para mostrar que através deles é possível tratar dos mais variados assuntos.

 

luz ribeiro é uma poeta nascida em são paulo. após vencer o campeonato brasileiro de poesia falada, ela  irá  para a frança representar o brasil no campeonato mundial ainda no ano de 2017 . luz lançou seu primeiro livro  Eterno Contínuo, em 2013.

 

Menimelimetros

os meninos passam liso
pelos becos e vielas
vocês que falam becos e vielas
sabem quantos centímetros cabem em um menino?

sabe de quantos metros ele despenca quando uma bala perdida o encontra?
sabe quantos nãos ele ja perdeu a conta?

quando “ceis” citam quebrada nos seus tcc’s e teses
“ceis” citam as cores das paredes natural tijolo baiano?
“ceis”citam os seis filhos que dormem juntos?
“ceis” citam o geladinho que é bom só por que custa 1,00?
“ceis” citam que quando vocês chegam pra fazer suas pesquisas
seus vidros não se abaixam?

…. num citam, num escutam
só falam, falácia!

é que “ceis” gostam mesmo do gourmet da quebradinha
um sarau, um sambinha, uma coxinha
mas entrar na casa dos menino
que sofrem abuso de dia
não cabe nas suas linhas

suas laudas não comportam os batuques dos peitos laje vista pro córrego
seu corretor corrige a estrutura de madeirite

quando eu me estreito no beco feito pros meninos “p”
de (in)próprio
eu me perco
e peco por não saber nada
por não saber geógrafa
invejo tanto esses menino mapa

percebe, esses menino desfilam moda
havaiana azul e branca e preta número 35 / 40 e todos
que é tamanho exato pro seu pé número 38

esses meninos tudo sem educação
que dão bom dia, abrem até portão
tão tudo fora das grades escolares

tão sem escola
nunca teve reforço
—- de ninguém
mas reforça a força e a tática
do trafico mais um refém

os menino sabem nem escrever
mas marcam os beco tudo
com caquinhos dos tijolo
pcc! prucê vê, vê … vê?

num vê!

esses meninos que num tem nem carinho
são muitas vezes pés no chão
num tem carrinho preso no barbante

pensa que bonito
se fosse peixinho fora d’agua
a desbicar no céu
mas é réu na favela
lhe fizeram pensar alto
voa, voa, voa

aviãzinho

o menino corre, corre, corre
faz seus corres, corres, corres …
podia ser até flecha, adaga, lança
mas é lançado fora
vive sempre pelas margens

na quebrada do menino passa nem ônibus pro centro da capital
isso me parece um sinal
é tipo uma demarcação de até onde ele pode chegar

e os menino malandrão faz toda a lição
acorda cedo e dorme tarde
é chamado de função
queria casa
mas é fundação.

tem prestigio, não tem respeito
é sempre o suspeito de qualquer situação

“ceis” já pararam pra ouvir alguma vez o sonho dos menino?
é tudo coisa de centímetros
um pirulito
um picolé
um pai uma mãe
um chinelo que lhe caiba nos pés

aviso:
quanto mais retinto o menino
mais fácil de ser extinto

seus centímetros
não suportam 9 milímetros
esses meninos
sentem metros

 

 

diana araujo nasceu no rio de janeiro e é doutora em literaturas hispânicas.   professora da UNILA e colaboradora de livros de crítica literária,  diana participou de  festivais internacionais de poesia como o Festival de Poesía de Guayaquil  no equador, em 2015.  o poema I que você confere a seguir está presente no livro Horizontes Partidos (2016).

Poema I

Ser, de repente, a estranha que me abre a porta,
que olha em torno de si e se dá conta do medo.
Há um ruido perpétuo que se esconde sob os móveis,
que se arrasta pela sala e me ronda o sono.
Há um meandro secreto para o qual a cura é a dose certa,
pesada e medida,
do próprio medo.
Pequenas gotas em água cristalina de sol,
tomadas lentamente diante do espelho.
Várias, muitas doses diárias
(ou também noturnas, se te convém)
da desordem interna,
da solução de medo.
Sorvê-las lentamente,
Absorvê-las absolvendo-se de cárcere privado,
das grades do medo.
Dias, semanas, anos… de solução aquática,
das gotas de sal e água,
dos redemoinhos formados a cada manhã.
Talvez décadas sejam então suficientes
para punir o de fora e
perdoar o de dentro,
para juntar as partes solitárias da esfera do medo.

(Poema em espanhol)

Ser, de repente, la extraña que me abre la puerta,
que mira en torno suyo y se da cuenta del miedo.
Hay un ruido perpetuo que se esconde bajo los muebles,
que se arrastra por la sala y me ronda el sueño.
Hay un meandro secreto para el cual la cura es la dosis cierta,
pesada y medida,
del mismo miedo.
Pequeñas gotas en agua cristalina de sol,
tomadas lentamente frente al espejo.
Varias, muchas dosis diarias
(o también nocturnas, si te conviene)
del desorden interno,
de la solución de miedo.
Sorberlas lentamente,
absorberlas absolviéndose de la cárcel privada,
de las rejas del miedo.
Días, semanas, años… de solución acuática,
de las gotas de sal y agua,
de los remolinos formados cada mañana.
Tal vez décadas sean entonces suficientes
para punir lo de fuera y
perdonar lo de dentro,
para juntar las partes solitarias de la esfera del miedo.

 

pablo neruda é o pseudônimo de ricardo eliezer neftalí reyes basoalto.  poeta e escritor nascido chileno, pablo neruda é dono de várias obras, como Crespusculario, El hondero entusiasta, Los crepúsculos de Marurí.  foi ganhador do prêmio nacional de literatura e do prêmio nobel de literatura. o referido poeta também já exerceu atividades diplomáticas e foi membro do partido comunista. neruda morreu em 23 de setembro de 1973 na cidade de santiago do chile. conheça o poema La poesia que está presente no livro Memorial de Isla Negra (1964).

La poesía

Y fue a esa edad… Llegó la poesía
a buscarme. No sé, no sé de dónde
salió, de invierno o río.
No sé cómo ni cuándo,
no, no eran voces, no eran
palabras, ni silencio,
pero desde una calle me llamaba,
desde las ramas de la noche,
de pronto entre los otros,
entre fuegos violentos
o regresando solo,
allí estaba sin rostro
y me tocaba.

Yo no sabía qué decir, mi boca
no sabía
nombrar,
mis ojos eran ciegos,
y algo golpeaba en mi alma,
fiebre o alas perdidas,
y me fui haciendo solo,
descifrando
aquella quemadura,
y escribí la primera línea vaga,
vaga, sin cuerpo, pura
tontería,
pura sabiduría
del que no sabe nada,
y vi de pronto
el cielo
desgranado
y abierto,
planetas,
plantaciones palpitantes,
la sombra perforada,
acribillada
por flechas, fuego y flores,
la noche arrolladora, el universo.

Y yo, mínimo ser,
ebrio del gran vacío
constelado,
a semejanza, a imagen
del misterio,
me sentí parte pura
del abismo,
rodé con las estrellas,
mi corazón se desató en el viento.

 

nascido na argentina, jorge luis borges é considerado um dos escritores mais importantes do século XX. além de escrever poemas, borges também escreveu contos e ensaios. confira a seguir o poema  El sueño. 

El sueño

Si el sueño fuera (como dicen) una
tregua, un puro reposo de la mente,
¿por qué, si te despiertan bruscamente,
sientes que te han robado una fortuna?

¿Por qué es tan triste madrugar? La hora
nos despoja de un don inconcebible,
tan íntimo que sólo es traducible
en un sopor que la vigilia dora

de sueños, que bien pueden ser reflejos
truncos de los tesoros de la sombra,
de un orbe intemporal que no se nombra

y que el día deforma en sus espejos.
¿Quién serás esta noche en el oscuro
sueño, del otro lado de su muro?

 

 

nascido em portugal, fernando pessoa foi  poeta, tradutor, crítico literário, empresário e escritor.  para assinar algumas poemas, fernando utilizava seu próprio nome. para outros poemas,  ele usava seus  heterônimos, que tinham suas próprias personalidades e características.

Autopsicografia

O poeta é um fingidor.
Finge tão completamente
Que chega a fingir que é dor
A dor que deveras sente.

E os que lêem o que escreve,
Na dor lida sentem bem,
Não as duas que ele teve,
Mas só a que eles não têm.

E assim nas calhas de roda
Gira, a entreter a razão,
Esse comboio de corda
Que se chama coração.

 

 

brasileira nascida na cidade de Salvador, karina rabinowitz é poeta. publicou os seguintes de poesia:  livros  e mas é que eu não sabia que se pode tudo, meu Deus! (2014),  O LIVRO de água (2013), livro do quase invisível (2010).

Currículo

meu nome eu mesma.
meu endereço em mim.
meu cadastro de pessoa física este corpo,
que dentro é céu e é jardim.
meu registro geral não foi registrado
e desde meu nascimento,
numa quarta-feira de cinzas,
nutro certo encantamento,
por tudo que não é numerado.
meu telefone anda ocupado,
uma família de pássaros fez um ninho
bem no fio da minha linha
desde então, ali só se aninha
o canto de uma mãe que espera.
pra falar comigo,
só mesmo depois da primavera,
quando do nascimento do novo passarinho.
minha formação profissional
segue um caminho
amador.
insisto no amor.
minhas atividades atuais:
pensar na vida
e uma corrida sem fim à beira-mar…
encontrar saídas e
encontrar entradas,
para essa vontade desmedida
de viver, de amar.
por fim, minhas referências pessoais,
é melhor que eu não diga
ou que você pergunte a ninguém…
elas serão sempre mais.
mais verdadeiro
é que você descubra,
na convivência comigo,
meu tempero,
minha loucura,
minha ternura,
meu desassossego…
então?
é meu, o emprego?

 

 

cristiane sobral nasceu no rio de janeiro e é escritora, atriz, poeta e diretora. já publicou livros os seguintes livros: não vou mais lavar os pratos, poesia e espelhos e miradouros.

Das águas

A força das mulheres
Está no cheiro
De terra molhada
Que fica depois da chuva esperada
A força das mulheres
Está na terra arrasada
Na planície devastada
Do sertão
Que se levanta
Em seu próprio pó
A força das mulheres
Um dia vai oceanar
Jorrar gotas de esperança
Irrigar a terra ferida
Mulher não é planta seca
Isso é o que importa
Mulher não é natureza morta
Sempre haverá força nas mulheres
Destino da mulher é amor
Destino da mulher é amar
Toda mulher
Pode se encontrar em suas águas
Toda mulher
Pode se encontrar nas águas do mar.

 

 

nascida no panamá, consuelo tomás é poeta, atriz, e comunicadora. ela participa de vários encontros literários em diferentes países. ganhadora de prêmios de poesia e conto, consuelo tem parte de seus escritos publicados em revistas nacionais e internacionais. entre suas publicações estão: Confieso estas Ternuras y estas rabias (1983), Las preguntas indeseables (1985), Libro de las Propensiones, (2000).

Yo era una casa

Yo era una casa que casi se cerraba
Antigua memoria de los besos
Caricia en el exilio
Mar calmo y ya de vuelta

Entonces fuiste tu
Abriendo mis ventanas
Colocando los  pasos la mirada
música de la ternura en tu mano dulce
espantando el polvo del desgano
una que otra palabra y el abrazo

ilusión imperfecta
un minuto en la vida
oportunidad serena
para ensayar el amor y sus desgarros

Ahora tengo que olvidarte y no sé cómo
Recuperar el mecanismo de la calma  la música del mar
Y su complicidad inmensa
El perfecto balance de todo lo logrado

En todo caso antes que la noche llegue
Aquí siempre habrá lugar para tu rostro
Un espacio vacío para que lo llenen tus brazos o el recuerdo
Un silencio tendido para que tu canto vuele a lo más alto
Aquí.

 

 

nascida na república dominicana, salomé ureña de henríquez foi uma poeta. seu pai, o escritor nicolás ureña de mendoza,  exerceu grande influência no que se refere a paixão da autora pela poesia. considerada uma das poetas mais importantes da poesia dominicana, suas obras mais conhecidas são: El Ave y el Nido, En horas de angustia e A la Patria. A seguir você confere o poema Luz.

Luz

¿Adónde el alma incierta
pretende el vuelo remontar ahora?
¿Qué rumor de otra vida la despierta?
¿Qué luz deslumbradora
inunda los espacios y reviste
de lujoso esplendor cuanto era triste?

¿La inquieta fantasía
finge otra vez en la tiniebla oscura
los destellos vivísimos del día,
lanzándose insegura,
enajenada en su delirio vago,
de un bien engañador tras el halago?

¡Ah, no! Que ya desciende
sobre Quisqueya, a iluminar las almas,
rayo de amor que el entusiasmo enciende,
y de las tristes calmas
el espíritu en ocio, ya contento,
surge a la actividad del pensamiento.

Y surge a la existencia,
al trabajo, a la paz, la Patria mía,
a la egregia conquista de la ciencia
que en inmortal porfía
los pueblos y los pueblos arrebata
y del error las nieblas desbarata.

Ayer, meditabunda,
lloré sobre tus ruinas ¡oh, Quisqueya!
toda una historia en esplendor fecunda,
al remover la huella
del arte, de la ciencia, de la gloria
allí esculpida en perennal memoria.

Y el ánimo intranquilo
llorando pregunto si nunca al suelo
donde tuvo el saber preclaro asilo
a detener su vuelo
el genio de la luz en fausto día
con promesas de triunfos volvería.

Y de esperanzas llena
temerosa aguarde, y al viento ahora,
cuando amanece fúlgida, serena,
del bienestar la aurora,
lanzo del pecho, que enajena el gozo,
las notas de mi afán y mi alborozo.

Sí, que ensancharse veo
las aulas, del saber propagadoras,
y de fama despiértase el deseo,
brindando protectoras
las ciencias sus tesoros al talento,
que inflamado en ardor corre sediento.

Ya de la patria esfera
los horizontes dilatarse miro:
el futuro sonriendo nos espera,
que en entusiasta giro,
ceñida de laurel, a la eminencia
se levanta feliz la inteligencia.

Es esa la futura
prenda de paz, de amor y de grandeza,
la que el bien de los pueblos asegura.
la base de firmeza
donde al mundo, con timbres y blasones,
se elevan prepotentes las naciones.

¡Cuántas victorias altas
el destino te guarda, Patria mía,
si con firme valor la cumbre asaltas
Escúchame y porfía;
escucha una vez más, oye ferviente
la palabra de amor que nunca miente:

yo soy la voz que canta
del polvo removiendo tus memorias,
el himno que a tus triunfos se adelanta,
el eco de tus glorias…
No desmayes, no cejes, sigue, avanza:
¡tuya del porvenir es la esperanza!

 

fontes:

http://www.poemas-del-alma.com/

https://www.facebook.com/permalink.php?id=1127540650608992&story_fbid=1159367734092950

http://novosnavegantes.blogs.sapo.pt/12284.html

http://www.antoniomiranda.com.br/Iberoamerica/panama/consuelo_tomas.html

 


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