poemas de graça graúna

nascida em são josé do campestre, um município brasileiro do estado do rio grande do norte localizado na microrregião da borborema potiguar, descendente de potiguaras, se formou em letras pela universidade federal de pernambuco, onde fez o mestrado sobre mitos indígenas na literatura infantil e o doutorado sobre literatura indígena contemporânea no brasil. algumas de suas obras são: canto mestizo (1999), tessituras da terra (2001) e tear da palavra (2007) entre outros.

 

cumplicidade

negro que te quero negro

na capoeira ou na morna

no bairro de são josé

em cabo verde ou bahia

em cuba libre ou angola

as contas do teu colar

têm as cores dos meus guias

do horizonte

do olhar

da esperança

da tribo

negro que te quero negro

orik, orixá, nagô

louvada seja a poesia

 

nem mais nem menos

um homem, uma mulher

são o que são:

palimpsestos

pássaros

deuses

mágicos

videntes

astro/estrela

de altamira a lascoux

asteca/pankararu

fulni-ô/xavante

potiguar, quem sabe?

íntimos irmãos da terra

salvaguardam o limo das pedras

o vôo dos peixes

e os sagrados rios navegáveis

 

colheita

num pedaço de terra

encabulada, mambembe

o caminho de volta

a colheita, o ritmo

o rio, a semente

planta-se o inhame

e nove meses esperar

o parto da terra.

planta-se o caldo

e docemente esperar

a cana da terra

palavra: eis minha safra

de mão em mão

de boca em boca

um porção campestre

potiguar de ser.

 

identidade

agora e pela hora

da minha agonia

louvo trindade

e jorge de lima

cantando

catando

as penas

_ de onde vem, solano, esta agonia?

_ de muito longe, nêga,

de afroamérica sonhada

lá donde crece la palma

plantada em versos de alma

del hombre josé martí

_ de onde vem, solano, esta agonia?

_ vem de longe, nêga,

do comecinho das coisas

de muito longe, minha nega,

muito longe


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