se olvidaron de que somos semilla…

“chapa, desde que você sumiu todo dia alguém pergunta de você…” acordar todo dia com essa sua ausência. ir dormir sonhando com sua presença. que faz falta, muita e tanta falta. no méxico, 43 estudantes (indígenas em sua maioria) estão desaparecidos desde setembro de 2014, no brasil, são inúmeros os episódios cotidianos de assassinato de jovens, em sua maioria, negros e moradores de bairros periféricos. quando teremos em nossos países um pouco mais de respeito pela vida humana? quando mais justiça?

 

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no final de 2014 as produtoras rip.mx e pedro y el lobo lançaram uma proposta: que artistas enviassem suas colaborações para um disco que seria lançado em apoio aos familiares dos estudantes de ayotzinapa. a resposta foi imediata. receberam mais de 160 canções, vindas das mais diversas latitudes: argentina, espanha, estados unidos, méxico, uruguai e venezuela. uma vez finalizada a seleção – que contou com a participação de familiares e de omar garcía, um dos estudantes que conseguiu escapar com vida do massacre – surgiu de vuelta a casa, cd que a gente destaca nesta edição de latitudes latinas.

verte regresar – belafonte sensacional & paulina lasa

 

un día más – fero esteban

 

lo sabes tú también – alumnos de la escuela superior de música

 

hasta encontrarlos – lian ventura

 

camino para verte – skaraway

 

brilla más el soul – los mind lagunas

 

em sintonia com as mobilizações que acontecem em diferentes latitudes, na segunda parte desta edição, a gente selecionou canções que dão conta também das muitas outras violências que – no brasil – atingem especialmente jovens negros de bairros periféricos. afinal, como diz a letra de “a carne”, “a carne mais barata do mercado é a carne negra”…

que vivan los estudiantes – hoppo cd hoppo!

 

los desaparecidos – composição de rubén blades, numa versão feita por sergent garcia

que alguien me diga si ha visto a mi esposo
preguntaba la doña, se llama ernesto x tiene 40 años
trabaja de celador en un negocio de carros
llevaba camisa oscura y pantalon claro
salio anteanoche y no ha regresado
y no se ya que pensar pues esto antes no me habia pasado

llevo tres dias buscando a mi hermana
se llama altagracia igual que la abuela
salio del trabajo pa’la escuela
llevaba puestos unos jeans y una camisa blanca
no ha sido el novio el tipo esta en su casa
no saben de ella en la psn ni en el hospital

que alguien me diga si ha visto a mi hijo
es estudiante de pre medicina
se llama agustin y es un buen muchacho
a veces es terco cuando opina
lo han detenido, no se que fuerza
pantalon claro camisa a rayas paso ante ayer

clara quiñones se llama mi madre
es un alma de dios no se mete con nadie
se la llevaron de testigo
por un asunto que es no mas conmigo
y fui a entregarme hoy por la tarde
y ahora no di que sabe quien se la llevo

anoche escuche varias explosiones
tiros de escopeta y de revolver
carros accelerzados, frenos gritos
ecos de botas en la calle.
toques de puertas, quejas, por dioses y platos rotos
estaban dando la telenovela
por eso nadie miro pa’ fuera

a donde van los desaparecidos?
busca en el agua y en los matorales
y por que es que se desaparecen?
porque no todos somos iguales
y cuando vuelve el desaparecido?
cada vez que lo llama el pensamiento
como se le habla al desaparecidos?
con la emocion apretando por dentro

 

desaparecidos – orishas cd emigrante

su madre pregunta que paso, fue a ver a su novia pasadas las diez,
desperte al sentir disparos, mi hijo anoche no llego.

madre no preguntes que paso, lo se, testigos no habran, me olvidaran,
sigue la misma historia.

el dia a dia, sangre que corre, muertos por sida,
guerra mundial se clona.

diecisiete primaveras, hiba a la universidad,
no se buscaba nunca un problema, que a lguien diga donde esta.

me hacias falta y tu no estabas dios rezos fueron poco,
gritos locos, planes, suenos rotos, a plomo y sangre olian otros,
familia como nosotros.

salio a la esquina, quien lo vio, mi amigo desaparecio,
no dejo ni la sombra, el culpable sabe de que hablo yo.

anoche escuche varias explociones,
butum batam butum bete,
y eso es muy normal, bebe,
la conciencia de hoy en dia esta al reves,

la gente no sabe donde cono mete el pie,
y a demas para los criminales una cena de buen provecho
y aunque salgan por el techo con las palabras que he dicho,
del dicho al hecho hay un buen trecho, y prosigo.

en nombre de mi amigo muerto que ya saben como fueron,
lo detuvieron, arrestaron, secuestraron, las ropas le quitaron,
fusilaron, las pruebas quemaron,
lo mismo le ocurrio a mi vecino de diez anos,
que sus organos no encontraron oye, que fatiga,
los quemaron e torturaron

salio a la esquina, quien lo vio, mi amigo desaparecio,
no dejo ni la sombra, el culpable sabe de que hablo yo.

otro mas de los caidos, otra espina, otro dolor,
otra madre sin un hijo, arbol que fruto no dio.

diecisiete primaveras, iba a la universidad,
no se buscaba nunca un problema, que alguien diga donde esta.

a los presidentes asesinos, a los responsables de desaparecidos,
pa’ los que trafican con ninos, el culpable sabe de que hablo yo.

yo yo yo se que a mi canon de palabras
le faltaron canallas para derribar en esta batalla,
pero el destino se encargara de cortar sus garras hijos de… asesinos.
desaparecido. ya ves lo que he vivido,
sin rastro para ponerle flores en mi tumba a mi madre le han dejado,
quien pagado me mata no sabe que arrebata un alma. independencia
salio a la esquina, quien lo vio, mi amigo desaparecio,
no dejo ni la sombra, el culpable sabe de que hablo yo.

 

somos juventud – bacteria soundsystem crew

 

a carne – elza soares

a carne mais barata do mercado é a carne negra

que vai de graça pro presídio
e para debaixo de plástico
que vai de graça pro subemprego
e pros hospitais psiquiátricos

a carne mais barata do mercado é a carne negra

que fez e faz história
segurando esse país no braço
o cabra aqui não se sente revoltado
porque o revólver já está engatilhado
e o vingador é lento
mas muito bem intencionado
e esse país
vai deixando todo mundo preto
e o cabelo esticado
mas mesmo assim
ainda guardo o direito
de algum antepassado da cor
brigar sutilmente por respeito
brigar bravamente por respeito
brigar por justiça e por respeito
de algum antepassado da cor
brigar, brigar, brigar

a carne mais barata do mercado é a carne negra

 

chapa – emicida

chapa, desde que cê sumiu
todo dia alguém pergunta de você
onde ele foi? mudou? morreu? casou?
tá preso, se internou, é memo? por quê?

chapa, ontem o sol nem surgiu, sua mãe chora
não da pra esquecer que a dor vem sem boi
sentiu, lutou, ei djow, ilesa nada
ela ainda tá presa na de que ainda vai te ver

chapa, sua mina sorriu, mas era sonho
quando viu, acordou deprê
levou seu nome pro pastor
rezou, buscou em tudo, face, google, iml, dp
e nada

chapa, dá um salve lá no povo
te ver de novo faz eles reviver
os pivetin’ na rua diz assim
ei tio, e aquele zica lá que aqui ria com nóiz, cadê?

chapa pode pá, to feliz de te trombar
da hora, mas xô fala prucê
isso não se faz, se engana ao crê
que ninguém te ame e lá
todo mundo temendo o pior acontecer

chapa, então fica assim, jura pra mim que foi
e que agora tudo vai se resolver
já serve, e eu volto com o meu peito leve
até breve, eu quero ver sua família feliz no rolê

mal posso esperar o dia de ver você
voltando pra gente
sua voz avisar, o portão bater
acende de um riso contente
vai ser tão bom, tipo são joão
vai ser tão bom, que nem reveillon
vai ser tão bom, cosme e damião
vai ser tão bom, bom, bom, bom

chapa, então fica assim, jura pra mim que isso foi
e que agora tudo vai se resolver

(vô menti prucê não, mano
às vez eu acho de bobeira um retrato lá em casa
olho não aguenta não, enche de água)


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